Estudantes mobilizam-se em defesa de uma universidade popular, pública e gratuita, socialmente referenciada, atrelada à produção de um conhecimento crítico e transformador que deve retornar à sociedade. Na USP, além da ocupação da Reitoria, o movimento deflagrou uma greve estudantil e dos funcionários da USP, cuja força pode ser capaz de enfrentar diretamente o governo e avançar ainda mais na reversão desse processo de destruição da universidade.
A Educação Pública é um direto de todos!
As lutas sociais estão em pleno processo de rearticulação. Depois da demonstração fatídica do caráter anti popular do primeiro mandato de Lula, diversos segmentos da sociedade mostraram, a partir do dia 25 de março, o dia do Encontro Nacional contra as Reformas Neoliberais, a disposição enérgica para o enfrentamento político em defesa dos direitos dos oprimidos, que tem sido suprimidos por um projeto de governo que se subjuga ao capital financeiro e afirma que os “heróis nacionais” são os latifundiários.
A defesa da universidade pública é uma das lutas fundamentais encampadas pelos movimentos populares e estudantis, em combate à conversão deste direito inalienável em mercadoria. Se em âmbito federal nos deparamos com uma Reforma Universitária que privatiza a educação superior, reduz as verbas públicas a esse setor, e colabora para seu sucateamento, no Estado de São Paulo enfrentamos um ataque frontal à autonomia das universidades estaduais, além de um quadro de precarização e descaso que chegam ao seu limite.
Os estudantes de São Paulo se erguem em luta pela universidade pública
Na UNICAMP, a Reitoria foi ocupada pelos estudantes em abril, e estes mostraram que, organizados, podiam obter conquistas concretas e coletivas, como o direito da moradia estudantil e da representação política soberana e democrática. Na USP, a luta em defesa da autonomia universitária e contra os Decretos do Serra se iniciou também por meio de uma ocupação da Reitoria, que dura mais de 15 dias e se mostra um instrumento político capaz de catalisar as forças do movimento estudantil e gerar uma crise na burocracia universitária e no governo. O poder concreto dos estudantes organizados que reivindicam direitos sociais básicos, como políticas de acesso e permanência, melhores condições de ensino, mais professores, reformas infra estruturais, democratização da universidade, criou um impasse público. A privatização e o sucateamento da educação pública, projeto do Governo, entra em contradição com o projeto de universidade que o movimento defende: uma universidade popular, pública e gratuita, socialmente referenciada, atrelada à produção de um conhecimento crítico e transformador que deve retornar à sociedade.
Além da ocupação da Reitoria, se deflagrou uma GREVE estudantil e dos funcionários da USP, cuja força pode ser capaz de enfrentar diretamente o governo e avançar ainda mais na reversão desse processo de destruição da universidade. Enquanto a grande imprensa nos acusa de corporativistas e “privilegiados”, nós defendemos que o acesso ao conhecimento é um direito de todos, direito que é negado aos pobres pelo mecanismo injusto do vestibular e pelas condições precárias do ensino básico do Estado. Por isso, são necessárias mais verbas à educação pública, para a realização de uma expansão responsável e com qualidade das vagas. Verbas que são negadas desde a década de 90, pela mesma gestão do Governo do Estado.
Unidade em defesa dos direitos sociais
A unidade nas lutas é imprescindível: a Previdência e a saúde públicas têm sido violentadas assim como a educação. A sociedade pode dar uma resposta uníssona ao projeto neoliberal de José Serra: nós não aceitamos as privatizações, e não abriremos mão de nossos direitos! Quanto menos, em nome de um projeto de governo abertamente nocivo à vida cotidiana dos mais pobres.

