*Por Sílvia Alvarez – da Cidade de Guatemala
Eleito com 55% dos votos, Otto Pérez Molina, general aposentado é acusado de participação em casos de torturas, genocídios e crimes de guerra na década de 1980
O general aposentado Otto Pérez Molina, de 60 anos, é um velho conhecido dos camponeses e indígenas que ousaram pegar em armas para defender um modelo alternativo de sociedade e resistir a ditaduras militares.
Molina foi major durante o ano de 1982 e comandava a área do Triângulo Ixil (departamento de El Quiché), justamente na época onde aconteceram ataques contra as populações locais. Defensoras de direitos humanos denunciaram ao relator especial sobre tortura das Nações Unidas a participação do militar em torturas, genocídios e crimes de guerra.
“Entre 70% e 90% dos povos foram arrasados. Todos os dias se cometiam atos de tortura, assassinato e mutilação. Os sobreviventes da região reconhecem e recordam muito bem de Pérez Molina”, denunciam as defensoras em uma carta. Além disso, a Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da Organização dos Estados Americanos (OEA) responsabiliza o candidato pelo assassinato do guerrilheiro Efraíns Bámaco Velásquez, comandante de origem maia da Unidade Revolucionária Nacional Guatemalteca (URNG). Outra morte contabilizada como de responsabilidade de Molina foi a do bispo Juan José Gerardi.
Como general, coube a ele negociar e assinar a paz com a guerrilha guatemalteca em 29 de dezembro de 1996, representando o exército. Participou das eleições em 2007, mas perdeu para o atual presidente Álvaro Colom. Agora, foi eleito com 55% dos votos no segundo turno.

