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Parlamentares do PSOL pressionam o Conselho de Ética do Senado para apurar as acusações contra Renan

Os parlamentares da bancada do PSOL no Congresso Nacional Deputada Federal Luciana Genro (RS), Deputado Federal Chico Alencar (RJ), Deputado Federal Ivan Valente (SP) e o senador José Nery (PA), aproveitaram a reunião para entregar aos membros do conselho um documento por meio do qual solicitam que a representação protocolada pelo partido prospere e seja avaliada com isenção.

"Este é um problema grave que envolve a principal autoridade do Congresso Nacional. É fundamental que a representação apure com rigor e isenção dos fatos" – explicou José Nery.

No documento, o PSOL manifesta preocupação com as investigações diante da declaração que teria sido feita pelo corregedor Romeu Tuma de que não pretendia condenar Renan Calheiros e de outra afirmação feita pelo presidente do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, senador Sibá Machado (PT-AC), de que a maioria das denúncias estariam respondidas com a defesa de Renan.

 

Manobras em favor de Renan

Em reunião do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, o corregedor do Senado, Romeu Tuma (DEM-SP), afirmou que em telefomena feito a ministra do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Eliana Calmon – que está conduzindo o processo sobre o esquema de fraudes em licitações de obras públicas detectado pela Polícia Federal por meio da Operação Navalha – disse a ele que não havia surgido no processo prova alguma que envolvesse o nome do presidente do Senado, Renan Calheiros, no esquema da empreiteira Mendes Júnior.

Para a ministra nada apareceu contra o Renan – afirmou Tuma, com relação a conversa que teve com Eliana Calmon. O presidente do Senado foi acusado pela revista Veja de ter tido contas particulares pagas pelo lobista da Construtora Mendes Júnior, Cláudio Gontijo. Segundo a matéria, Gontijo, durante um certo período, foi o responsável pelo pagamento R$ 16.500 por mês – referentes ao aluguel de um apartamento no valor de R$ 4.500 e à pensão alimentícia, de R$ 12 mil -à jornalista Mônica Veloso, mãe de uma criança de três anos filha de Renan.

Na mesma matéria, a revista cita supostas ligações e laços de amizade de Renan com o empresário Zuleido Veras, dono da Gautama – empresa acusada de liderar o esquema de fraudes em vários estados, com o envolvimento de autoridades, funcionários públicos e políticos.

Com base na reportagem de Veja, o PSOL fez uma representação, no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, contra Renan, para verificação de quebra de decoro parlamentar. O partido solicitou ao órgão que investigue "a ligação do senador com a Construtora Gautama e com a empreiteira Mendes Júnior".

 

Aliado do Planalto, Cafeteira é indicado relator da representação

O senador Epitácio Cafeteira (PTB-MA) foi escolhido relator da representação encaminhada pelo PSOL, para verificação de quebra de decoro parlamentar. Ao indicar, o presidente do Conselho, senador Sibá Machado (PT-AC), informou que iria notificar Renan. A partir disso, inícia a contagem do prazo regimental de cinco sessões ordinárias para que o presidente do Senado apresente defesa escrita e provas da sua inocência.

O PSOL chegou a ameaçar recorrer a "instâncias superiores" caso o Conselho de Ética não instaurasse o processo contra Renan. O partido acusa Sibá e Tuma de parcialidade nas investigações.

"O corregedor declarou, em tom de pré-julgamento com base nos documentos que o senador Renan lhe enviou, que não queria condená-lo. O presidente do conselho, descuidando-se da necessária neutralidade, afirmou que o grosso das denúncias estão respondidas sem que ninguém conheça a íntegra dos argumentos e provas de defesa do senador", afirma o partido em carta aberta encaminhada ao conselho.

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