A bancada do PSOL protocolou na última quinta-feira (10) um requerimento para que o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Gustavo Montezano, seja convocado a uma sessão da Câmara dos Deputados para dar explicações sobre os empréstimos bilionários feitos a Embraer, privatizada em 1994, ao mesmo tempo em que empresa confirma a demissão de milhares de trabalhadores. Há indícios de que os recursos estariam sendo usados para custear a demissão em massa.
Em junho de 2020, a Embraer recebeu do BNDES a quantia de 300 milhões de dólares. Na mesma época, outros 315 milhões de dólares foram repassados por um consórcio de bancos privados e públicos, incluindo o Banco do Brasil. Ao longo dos últimos anos, a Embraer obteve vários financiamentos.
Na semana passada, a empresa encerrou o plano de demissão voluntária (PDV) de 1,6 mil funcionários e anunciou a demissão de mais 2,5 mil trabalhadores, quantidade que pode ser ainda maior e chegar a 3,4 mil.
“Tratam-se, portanto, de benefícios financeiros concedidos pelo conjunto da sociedade, no mínimo, sem as necessárias contrapartidas. Dentre elas, uma das principais e mais óbvia seria a da manutenção dos postos de trabalhadores bem como a irredutibilidade salarial”, destaca o PSOL.
A bancada alerta ainda que é gravíssimo o fato de que as demissões estão sendo feitas sem negociação com o Sindicato dos Metalúrgicos. Sobre o PDV, o Sindicato denunciou ao Ministério Público do trabalho que trabalhadores que estavam em licença remunerada estariam sendo pressionados a aderir ao plano e afirmou que é inadmissível que a Embraer receba dinheiro público enquanto realiza demissão em massa.



