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PSOL Curitiba: Contra a violência da PM, em defesa do Carnaval em Curitiba!

O PSOL (Partido Socialismo e Liberdade) de Curitiba expressa sua mais alta indignação e repúdio ao bárbaro episódio de violência policial contra as milhares de pessoas que haviam acompanhado o desfile de pré-carnaval do bloco Garibaldis e Sacis, no Largo da Ordem, neste domingo, 5 de fevereiro de 2012.

O fato explicita os muitos equívocos da propaganda oficial do governo Beto Richa sobre os temas de justiça e segurança pública. Há vários anos, Curitiba tem apresentado altos índices de violência. Segundo dados divulgados em 13 de janeiro de 2012 pela ONG mexicana Conselho Cidadão para a Segurança Pública e Justiça Penal, os cerca de 50 homicídios para 100 mil habitantes (quase mil homicídios por ano) colocam nossa cidade como uma das 50 mais violentas em todo o mundo. O dado é coerente com o relatório apresentado pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 19 de março de 2010, que aponta Curitiba como a 17ª cidade mais desigual do mundo, isto é, uma das que apresentam a maior diferença entre ricos e pobres.

Entretanto, no lugar de fazer valer seu lema institucional – “Sua proteção é o nosso compromisso” –, a Polícia Militar do Paraná se perde no revoltante emprego de cassetetes, balas de borracha e bombas de gás contra pessoas que exerciam um direito elementar de cidadania.

Não é a primeira vez, infelizmente. Por exemplo, em 23 de outubro de 2008 – quando Roberto Requião era governador e Beto Richa, prefeito –, mais de mil policiais militares protagonizaram violento despejo contra centenas de famílias que ocupavam imensa área ociosa no bairro do Campo Comprido, nas proximidades da Fazendinha. Em 5 de novembro, com 15 tiros, foi assassinado o ocupante Celso Eidt, em crime até hoje não esclarecido. Oito meses depois, cerca de cem famílias foram novamente despejadas, agora da calçada em frente à área, na rua Theodoro Locker, sem que a prefeitura ou o governo do Estado lhes oferecesse qualquer opção de moradia, além do cadastro entre as mais de sessenta mil famílias inscritas na interminável fila da COHAB.

Em novembro do ano passado, após admitir relações com o jogo do bicho (Gazeta do Povo, 23/11/2011), o coronel Marcos Theodoro Scheremeta foi substituído no comando da Polícia Militar do Paraná pelo também coronel Roberson Bondaruk. A indicação alimentou

expectativa favorável em setores ligados à luta pelos direitos humanos, dado o histórico do coronel Bondaruk, policial com origem na classe trabalhadora (de família ucraniana, nascido no bairro do Parolin), especialista no Estatuto da Criança e do Adolescente, autor

de pesquisa sobre meninos e meninas em situação de rua. A truculência do último domingo flagrantemente contrasta com tal discurso e o põe em xeque, levantando dúvidas sobre a integridade de comando na Polícia Militar e a autenticidade dos compromissos públicos do governo estadual com práticas republicanas de respeito aos direitos humanos.

Entre os livros do coronel Bondaruk encontra-se A prevenção do crime através do desenho urbano, obra que, como observou o jornalista José Carlos Fernandes, mostra “as relações entre arquitetura, espaço e criminalidade” (Gazeta do Povo, 25/11/2011). Tal reflexão é particularmente adequada quando se volta justamente sobre Curitiba, celebrizada nacionalmente, desde os anos 1970, como “cidade-modelo”, mas que, como reconhecido até mesmo pela ONU, configura-se mais propriamente como modelo de desigualdade e exclusão social.

Entre os vários momentos da criação desse mito, tivemos, em meados dos anos 1970, a “revitalização” do Largo da Ordem, que a propaganda apresentou como o primeiro centro histórico brasileiro a ter seus prédios restaurados, suas ruas transformadas em calçadão e, pretensamente, em espaço para o lazer, a cidadania e as manifestações culturais. Agora, após os cassetetes, as bombas e as balas de borracha da truculenta e desmedida ação policial, fala-se em transferir o desfile dos Garibaldis e Sacis para outro local, alegadamente “mais adequado”, o que sacramentaria ainda mais a visão excludente e antipopular que o poder público tem sobre as regiões centrais da cidade.

Nesse contexto, o PSOL de Curitiba se posiciona

• contra todo o uso de força policial para reprimir trabalhadores e cidadãos;

• contra a transferência dos desfiles de pré-carnaval do Largo da Ordem;

• contra o modelo urbanístico que promove a desigualdade;

• em favor das manifestações culturais e populares;

• em favor do uso livre dos espaços públicos;

• e, enfim, em favor de uma Curitiba sem catracas.

**PSOL Curitiba

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