O deputado Ivan Valente (PSOL/SP) denunciou, nesta semana, a parcialidade que está sendo exercida dentro da Comissão Parlamentar Inquérito (CPI) da Petrobras. Não é a primeira vez que o deputado do PSOL afirma que a CPI está, claramente, protegendo alguns partidos e políticos. Ele reafirma a posição do PSOL de investigar a todos.
“Nós colocamos desde o primeiro dia desta CPI a impropriedade de quem recebe das empreiteiras denunciadas na Operação Lava Jato estarem aqui participando de uma investigação na qual estão envolvidas. Não há dúvida que aqui há combinações. Essa relação promíscua com as empreiteiras acaba nisso aqui: CPI para investigar corrupção”, destacou Ivan Valente, na sessão da CPI da Petrobras da última terça-feira, dia 16.
Ainda na sessão, Ivan questionou o ex-presidente da Sete Brasil Participações S/A, João Carlos de Medeiros Ferraz, que permaneceu em silêncio por orientação dos advogados.
Nova denúncia
Matéria da Folha de São Paulo, do dia 17 de junho, trouxe uma nova denúncia contra Fernando Baiano, apontado pela Operação Lava Jato como operador do PMDB no esquema de desvio de recursos da Petrobras, e o delator Júlio Camargo, que cuidava do contrato apontado como fonte da propina para Eduardo Cunha (PMDB/RJ).
Segundo a Folha “documentos enviados pelas autoridades suíças ao Brasil apontam que uma empresa de Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano e apontado como operador do PMDB na Petrobras, recebeu US$ 800 mil (R$ 2,4 milhões) na Suíça de uma empresa controlada pelo lobista Julio Camargo. O dinheiro foi depositado na conta no banco Crédit Suisse em nome da offshore Three Lions Energy Inc, controlada por Baiano, de acordo com autoridades daquele país”.
A notícia reforça a importância da convocação destes investigados para depor na CPI da Petrobras, tema que tem sido cobrado pelo deputado Ivan Valente. Além de Fernando Baiano e Júlio Camargo, também tem sido protelada a convocação de outros nomes importantes que figuram nas investigações da Lava Jato, como o do ex-policial Jayme de Oliveira, conhecido como Jayme Careca.
“Não por acaso, todos estes nomes (Baiano, Camargo e Careca), são denunciados por envolvimento ou com o PMDB ou com o presidente da Câmara. É um absurdo que a CPI da Petrobras não aja com total isenção e imparcialidade”, argumenta Ivan Valente. “Insistimos em nossa posição, firme e coerente, de que todos os denunciados devem ser devidamente investigados e punidos, caso sejam culpados. Sem exceção”.

