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PSOL é recebido pelo embaixador boliviano, que espera explicações do governo brasileiro

Líder do PSOL pede convocação de ministros da Defesa e das Relações Exteriores. Para Ivan Valente, fuga de Molina foi uma operação orquestrada por interesses políticos

Da Liderança do PSOL na Câmara, Mariane Andrade
 

O presidente e líder do PSOL na Câmara, deputado Ivan Valente (SP), avaliou como perigoso o processo de fuga do senador boliviano Roger Pinto Molina, daquele país ao Brasil, no último final de semana. O perigo, para o deputado, está na quebra da diplomacia entre os dois países.
 
“O governo boliviano teve sua soberania violentada”, afirma Ivan Valente. “Esta fuga, que não sabemos exatamente como aconteceu, mas que resultou na estadia em território nacional de um político asilado é, no mínimo, estranha. A alegação de razões humanitárias para orquestrar uma fuga não convence. Um encarregado de Negócios não tem autonomia para tomar uma decisão como esta sem o conhecimento de superiores”, considera o deputado.
 
No final da tarde desta terça-feira (27), o líder Ivan Valente, o senador Randolfe Rodrigues (AP), líder do PSOL no Senado, e os deputados Cláudio Puty (PT/PA) e Bohn Gass (PT/RS) foram recebidos pelo embaixador da Bolívia no Brasil, Jerjes Talavera. Os parlamentares foram prestar solidariedade e apoio ao governo boliviano.
 
O embaixador Jerjes Talavera disse que espera explicações do governo brasileiro e uma solução que não agrida ainda mais a soberania de seu país. “O povo e o governo bolivianos se sentiram agredidos, mas confio no governo democrático brasileiro, pois o Brasil sempre foi o irmão maior na América do Sul”. Ele agradeceu o “carinho, amizade e compreensão” dos parlamentares.
 
“A Bolívia tem atitude de irmandade com o Brasil, sempre teve. Mas o fato atual deteriora as relações com o país vizinho. É lamentável para a imagem do Brasil”, avalia o senador Randolfe Rodrigues.
 
A fuga obscura e orquestrada
As circunstâncias da vinda do senador Roger Molina ao Brasil ainda são obscuras. “E por isto precisam ser esclarecidas”, declarou o deputado Ivan Valente. “Afinal foi usado aparato da embaixada brasileira, militares brasileiros, carro oficial. E até a participação de um senador e de um empresário brasileiros”.
 
Ontem, o líder do PSOL protocolou na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara, requerimentos para que o governo federal dê explicações sobre a vinda sorrateira do senador boliviano Roger Molina. Ivan Valente pede a convocação do ministro da Defesa, Celso Amorim, e do novo ministro das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo, e faz um convite ao diretor-geral da Polícia Federal, Leandro Daiello Coimbra. Os requerimentos foram aprovados hoje (28), na Comissão.
 
De acordo com o divulgado até agora, o senador Molina – condenado a um ano de prisão por crime de corrupção e respondendo a outros vinte processos – foi trazido ao Brasil, em um carro oficial brasileiro, embora não tivesse autorização do governo boliviano para deixar o país. Ele estava asilado na Embaixada brasileira havia um ano. Ao cruzar a fronteira, de La Paz a Corumbá (MS), sem qualquer problema ou interrupção, pegou um jatinho – de propriedade de um empresário não identificado – na cidade sul-mato-grossense, acompanhado do senador Ricardo Ferraço (PMDB/ES), presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, e desembarcou em Brasília, na madrugada do último domingo.
 
“Foi utilizado dinheiro público para transferir alguém asilado na embaixada do Brasil na Bolívia para o Brasil. Qual a participação de militares na operação? Como se deu o ingresso do senador boliviano pela fronteira sem questionamentos? Foi uma operação orquestrada e planejada, com interesses de ordem política que precisam ser esclarecidos”, avalia Ivan Valente.
 
Um corpo diplomático hostil
O líder Ivan Valente fez críticas ao corpo diplomático brasileiro na Bolívia, que classificou como hostil em relação ao governo de Evo Morales. “Nunca tinha visto um corpo diplomático que hostiliza o governo local dessa forma”.
 
O deputado contou que, em março deste ano, quando a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Trabalho Escravo esteve na Bolívia para investigar os casos de trabalho escravo, foi possível perceber atitudes preconceituosas, já que Sabóia e sua esposa referiam-se ao governo boliviano como “presidente de um povo indígena”, pejorativamente.

 

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