A Liderança do PSOL na Câmara protocolou nesta segunda-feira (24) um pedido de convocação do ministro da Justiça e Segurança Pública, Anderson Torres, para que ele explique ao Plenário e à Comissão de Constituição de Justiça (CCJ) a tentativa de interferência do governo federal no cumprimento da ordem de prisão contra o ex-deputado Roberto Jefferson, que teve sua prisão domiciliar revogada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Ao chegarem à residência de Jefferson no domingo (23), os agentes destacados para o cumprimento da ordem de prisão foram recebidos a tiros de fuzil e granadas e dois integrantes da Polícia Federal (PF) foram feridos.
Estou protocolando agora, com a bancada do PSOL, a convocação do Ministro Anderson Torres à Câmara para explicar a interferência do governo Bolsonaro no cumprimento da ordem de prisão contra Roberto Jefferson. Não aceitamos o aparelhamento do Estado para proteger bolsonaristas!
— Sâmia é Lula e Haddad 13! (@samiabomfim) October 24, 2022
Somente depois de oito horas Jefferson se entregou à Polícia Federal. Circula nas redes um vídeo em que, diante de outros agentes federais, Jefferson fala em tom jocoso e muito à vontade que desferiu tiros de fuzil e arremessou duas granadas contra aqueles que vieram efetuar sua prisão.
As imagens geraram revolta e indignação na população pela forma em que o criminoso, após a tentativa de homicídio de dois policiais federais, foi tratado, e pela complacência do agente da PF que aparece no vídeo.
O Presidente da República e o Ministro da Justiça interferiram diretamente no cumprimento da ordem de prisão determinada pelo Supremo Tribunal Federal. Para as deputadas e os deputados do PSOL, isso viola a Constituição Federal de 1988.
Um delegado informou a imprensa, sob a condição de anonimato, que a situação vivida imporia a intervenção de um grupo tático a fim de fazer cessar os riscos causados por Jefferson, mas as atitudes tomadas “demonstram que a PF não possui a autonomia necessária para cumprir sua função quando o interesse do governo vai no sentido contrário”.
Neste intervalo entre os ataques de Jefferson e sua rendição, o ministro Torres, em cumprimento a ordem direta dada pelo Presidente da República, se deslocou de Brasília ao Rio de Janeiro para “acompanhar a diligência policial realizada em cumprimento a ordem emanada pelo Poder Judiciário”.
“Estou protocolando agora, com a bancada do PSOL, a convocação do ministro Anderson Torres à Câmara para explicar a interferência do governo Bolsonaro no cumprimento da ordem de prisão contra Roberto Jefferson. Não aceitamos o aparelhamento do Estado para proteger bolsonaristas!”, denuncia a líder da bancada Sâmia Bomfim.

