Lançado em 2014 – e considerado por especialistas de todo o mundo um estudo extremamente relevante, o Guia Alimentar para a População Brasileira orienta a diminuição do consumo de alimentos ultraprocessados e a importância da ingestão de alimentos in natura como frutas, verduras e legumes.
O Guia Alimentar é um importante documento orientador das políticas públicas de alimentação, porém o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) na contramão desse entendimento e, sem qualquer evidência científica, solicitou uma revisão do Guia, justificando que o material é confuso e incoerente.
A deputada federal Sâmia Bomfim, ao lado da bancada do PSOL na Câmara, protocolou um requerimento solicitando que a ministra Tereza Cristina explique quais foram os critérios levantados pelo MAPA para, em 2020, afirmar que o estudo é incoerente.
“É muito estranho que um estudo com reconhecimento internacional, que defende a comida de verdade baseada em alimentos naturais e que questiona o poder da indústria alimentícia sobre o hábito alimentar da população, seja questionado sem o menor embasamento. Isso acontece no mesmo momento em que as autoridades do governo minimizam a alta do preço do arroz e sugerem a troca do item por macarrão, ignoram assim a cultura, a autonomia e a soberania alimentar da população brasileira”, afirma a deputada.
O governo Bolsonaro nunca se mostrou preocupado em frear os impactos da indústria alimentícia na mesa dos brasileiros. Haja vista o número assustador de agrotóxicos que foi liberado neste governo, e que, segundo dados da imprensa, é o maior em dez anos.
“É preciso entender quais são os interesses desse governo ao questionar um estudo que propõe à população evitar o consumo de alimentos ultraprocessados. É isso que queremos que o MAPA explique à população”, completa Sâmia.



