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PSOL quer explicações dos ministros da Defesa e de Relações Exteriores sobre vinda de boliviano

Requerimentos foram protocolados na Comissão de Relações Exteriores. Ivan Valente terá encontro com embaixador boliviano às 16h30
 
O presidente e líder do PSOL, deputado Ivan Valente (SP), membro da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara, protocolou requerimentos para que o governo federal dê explicações sobre a vinda sorrateira do senador boliviano Roger Molina ao Brasil, no último final de semana. Ivan Valente pede a convocação do ministro da Defesa, Celso Amorim, e do novo ministro das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo, e faz um convite ao diretor-geral da Polícia Federal, Leandro Daiello Coimbra.
 
“Esta fuga da embaixada brasileira está muito mal explicada. Houve uso de carros oficiais, de fusileiros navais, da polícia federal e da própria estrutura da embaixada”, argumenta Ivan Valente. “O que aconteceu não foi uma decisão meramente humanitária de uma única pessoa. Há interesses de ordem política que precisam ser esclarecidos. A Embaixada Brasileira em La Paz era um centro de conspiração contra o governo Evo Morales”, afirma o deputado, lembrando de quando esteve na Bolívia, em março deste ano, em missão da CPI do Trabalho Escravo.
 
Os requerimentos foram protocolados nesta terça-feira (27), e entrarão na pauta de votações da Comissão de Relações Exteriores, marcada para amanhã (28), às 10 horas, no plenário 3.
 
Ida à Embaixada Boliviana
Os deputados Ivan Valente (PSOL/SP) e Cláudio Puty (PT/PA) serão recebidos pelo embaixador da Bolívia no Brasil, Jerjes Talavera, logo mais às 16h30. O assunto será a fuga do senador boliviano Roger Pinto Molina, as consequências políticas e econômicas que o impasse diplomático trará e uma manifestação de solidariedade ao embaixador Talavera.
 
Os deputados atenderão à imprensa às 18 horas, no Salão Verde da Câmara, assim que retornarem da Embaixada boliviana.
 
Os bastidores da embaixada
Em março deste ano, Cláudio Puty, presidente da CPI do Trabalho Escravo, e Ivan Valente estiveram na Bolívia, em missão para investigar os casos de trabalho escravo, e puderam conhecer os bastidores da embaixada brasileira naquele país. Na ocasião, conheceram os três principais personagens envolvidos na fuga: o então embaixador do Brasil na Bolívia, Marcel Biato, que patrocinou a aceitação brasileira ao pedido de asilo político do senador, o diplomata brasileiro Eduardo Sabóia, que afirma ter organizado sozinho a fuga do político, e o próprio senador oposicionista Roger Monila.
 
“A Embaixada Brasileira em La Paz era um centro de conspiração contra o governo Evo Morales”, afirma Ivan Valente. Os parlamentares sustentam a tese de que a fuga do senador boliviano, que custou o cargo ao ministro das Relações Exteriores, Antônio Patriota, não foi obra individual de um destemido diplomada brasileiro, mas uma ação organizada pela direita com apoio de setores conservadores do Itamaraty, que mantêm estreitos laços em questões políticas e econômicas, como o boicote aos governos socialistas e a defesa intransigente do agronegócio.

 

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