
A presidente nacional do PSOL e ex-senadora Heloisa Helena (AL) anunciou, na manhã desta quinta-feira, a possibilidade de pedir uma investigação contra o senador Gim Argello (PTB/DF), suplente do ex-senador Joaquim Roriz (PMDB/DF), que renunciou após representação do PSOL. "É nossa obrigação identificar todos os indícios e quando há indícios relevantes de crimes contra a administração pública, temos a obrigação de fazê-lo (entrar com representação) também", disse Heloisa.
Joaquim Roriz renunciou na tarde de ontem, depois que a Mesa Diretora do Senado
acolheu a representação do PSOL por quebra de decoro parlamentar contra
o senador e enviou o processo para o Conselho de Ética da Casa. Ele foi pego em escuta da Polícia Civil
durante a Operação Aquarela, que investigou suposta quadrilha que
desviava verbas públicas. O ex-governador combinava a partilha de R$
2,2 milhões com Tarcísio Franklin de Moura, ex-presidente do Banco de
Brasília (BRB). Franklin foi um dos presos na operação. A transcrição
de escutas, realizadas pela polícia com autorização judicial, foi
publicada pela revista "Veja" em 24 de junho.
PSOL pode entrar com denúncia crime contra Renan
Caso o Conselho de Ética do Senado não funcionar com autonomia e com presidente e relator imparciais, no caso do processo do presidente da Casa, Renan Calheiros, o PSOL vai ingressar com uma denúncia crime, no Ministério Público, contra o senador. O partido decidiu também que vai recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) para cobrar o funcionamento do Conselho de Ética e encaminhar uma notificação ao secretário da Receita Federal, Jorge Rachid, solicitando investigação em relação à movimentação financeira de Renan.
O presidente do Senado é alvo de processo no Conselho de Ética por ter supostamente suas despesas pessoais pagas pelo lobista da empreiteira Mendes Júnior, Claudio Gontijo. Segundo o líder do PSOL na Câmara, Chico Alencar (RJ), é preciso que a Receita dê explicações sobre saques e pagamentos de "vultosas somas" que Renan teria feito para a jornalista Monica Veloso, com que tem uma filha fora do casamento. Alencar explicou que a denúncia crime ainda está em fase de elaboração pelos advogados da legenda, mas se dará com base no entendimento que têm de que Renan cometeu "fraude fiscal e falsificação ideológica".
Chico Alencar também considera temerária a permanência de Leomar Quintanilha (PMDB-TO) na presidência do Conselho de Ética, já que ele é alvo de investigações por corrupção, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. "Eles perderam o pudor. Quem está hegemonizando o Conselho perdeu o decoro", afirmou.
PSOL entra com representação contra tucano de SP
O PSOL entrou com representação no Conselho de Ética da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo pedindo investigações para a apuração das denúncias envolvendo o líder do PSDB na Casa, Mauro Bragato, que teria se envolvido num esquema de fraudes em licitações da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) na região de Presidente Prudente, seu reduto eleitoral. "O Bragato tem uma história, uma moral, e quero crer que ele vai conseguir reunir, com muita tranqüilidade, provas para mostrar que as acusações são infundadas. Mas tem que investigar", afirmou o deputado Carlos Giannazi, do PSOL.
De acordo com Giannazi, o partido foi "surpreendido por essas denúncias". Para ele, a representação tem como marca não deixar que a Assembléia Legislativa se transforme no Senado federal. "O Senado demorou muito para investigar e a Assembléia não pode ir no mesmo caminho", opinou. "Precisamos apurar e investigar o caso". O PSOL protocolou a representação hoje. Ontem a bancada petista também havia entrado com representação contra Bragato pedindo mais investigações. Segundo Gianazzi, o pedido do seu partido já estava pronto e não foi feito com a idéia de reforçar a dos petistas.
"Nós já tínhamos decidido entrar (com a representação), mas estávamos levantando mais dados junto ao Ministério Público e a polícia para ter mais elementos. Não queríamos ser levianos sem fundamentar. Não li o teor da representação do PT, mas a gente já tinha tomado essa decisão", disse o deputado do PSOL. Questionado sobre se o recesso parlamentar previsto para esta sexta, até o dia 30 de julho, não prejudicaria as investigações, o deputado negou e diz que haverá continuidade do processo. "Vai ter processo, vai ter que investigar. Do ponto de vista da opinião pública talvez (fique essa idéia), mas aqui, internamente, vai ter que seguir o regimento e dar continuidade", comentou. "Aguardamos agora uma resposta do presidente do Conselho de Ética da Assembléia, o deputado estadual Hamilton Pereira", complementou.

