O deputado Ivan Valente (PSOL/SP) afirmou nesta quinta-feira, 24 de abril, que as denúncias de mortes, que teriam sido cometidas pela Liga dos Camponeses Pobres, em Rondônia, devem ser investigadas e que o PSOL vai propor a realização de debate sobre o assunto na Comissão de Direitos Humanos e Minorias. A declaração foi feita durante a audiência pública que discutiu denúncias publicadas pela revista IstoÉ, em março deste ano, de que existem áreas em Rondônia sob o domínio armado da Liga.
Segundo Ivan Valente, o debate deve ser ampliado e não somente discutido na Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural, pois o assunto não se restrige a terras no norte do país. A audiência pública na Comissão de Direitos Humanos será proposta pelo titular, deputado Chico Alencar. “Se pessoas foram mortas, expulsas ou violentadas os fatos devem ser investigados”, afirmou Ivan Valente.
Na audiência desta quinta, o secretário-adjunto da Segurança de Rondônia, Cezar Pizzano, e o tenente-coronel Enedy Dias Araújo, da Polícia Militar, acusaram a Liga dos Camponeses de serem treinadas pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e pelo grupo Sendero Luminoso, do Peru, e de provocar mortes e conflitos após a ocupação de terras. O delegado da Polícia Federal, Marcelo Vieira, afirmou que não há indícios de atuação paramilitar da Liga e contou que foi realizado um inquérito, já encerrado, no qual se concluiu que as acusações feitas contra o grupo não tinham fundamento. O dirigente da Liga dos Camponeses Pobres, Nilo Hallack, afirmou que são falsas as reportagens da revista.
O deputado Ivan Valente alertou para o fato de que o estado de direito é violado sempre no Brasil “por grilagem de terras, invasão de terras indígenas, por desmatamento, por madeireiras, pela destruição do meio ambiente e pelo trabalho escravo nas fazendas”. Valente criticou também a atuação dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário de Rondônia.
Outro fato que provocou a indignação do deputado do PSOL, foi a alegação das autoridades estaduais de que livros como Mao Tsé-tung ou Lênin, encontrados no acampamento da Liga, configurariam a existência de guerrilha. Ele lembrou que a repressão militar da década de 60 torturava por este motivo, mas atualmente estes livros e outros, como de Karl Marx e Trotski, estão nas universidades. “Não vamos confundir guerrilha com criminalização de movimento social. Quero que se investigue o conflito e estas denúncias. E a Câmara dos Deputados não ficará à parte”.

