Nos dias 27 de janeiro a 1º de fevereiro, representando a Câmara Municipal de Porto Alegre, tive a oportunidade de comparecer ao Fórum Social Mundial, em Belém, em sua nona edição. Este FSM aconteceu em um momento crucial para o futuro da humanidade seja do ponto de vista social e econômico ou seja ambiental.
Em meio a uma crise provocada pela ganância de banqueiros e grandes capitalistas, o grito de milhares de trabalhadoras(es), jovens, indígenas e explorados por um novo mundo é cada vez mais atual. Os discursos triunfalistas da elite neoliberal se provaram uma grande falácia. Enquanto cerca de 925 milhões de pessoas passam fome no mundo, os 200 seres humanos mais ricos possuem mais dinheiro que os 2,5 bilhões de pessoas mais pobres. O neoliberalismo como modelo privatista só agravou essas cifras. Promoveu uma desregulamentação que retira qualquer proteção social do Estado e, ao entregar os recursos naturais e energéticos dos países à sede do capital, cada vez promove mais catástrofes ambientais.
Os efeitos deste processo são sentidos por todos. Tragédias como a enchente que aconteceu no Sul do Estado recentemente são uma combinação perversa de destruição ambiental e o descaso dos governos com as cidades. Essa é a lógica do ‘Estado mínimo’ neoliberal, mínimo para o povo e máximo para as multinacionais.
No Brasil, apesar do discurso cínico de quem nasceu na luta do povo e hoje na Presidência do país diz não haver alternativa, as coisas não são diferentes. A incongruência entre discurso e prática é gritante. Lula faz belos discursos em defesa da floresta, ao mesmo tempo, o incentivo ao agronegócio em detrimento da agricultura familiar, marca de seu mandato, fez com que o plantio de soja na Amazônia tenha chegado a 1,2 milhão de hectares, 5% do plantio nacional, destinado em sua maioria à exportação. A dívida pública brasileira, já na casa de 1,5 trilhão, beneficia 30 mil famílias que ganharam 30% do orçamento da União somente em 2008 e, enquanto isso, o país contabilizou meio milhão de demissões somente em dezembro do mesmo ano.
Milhares de lutadores reuniram-se em Belém para construir uma saída para esta crise. Uma alternativa sustentável que passa pelo respeito à diversidade e a busca pela igualdade social. Um novo mundo voltado aos que vivem do seu próprio trabalho e para dar um basta na especulação financeira, hoje responsável por 70% do capital movimentado no planeta; tão fictício quanto o discurso de que tudo vai bem. Outro mundo é possível e necessário! Lutemos por ele.
Fernanda Melchionna é vereadora pelo PSOL de Porto Alegre

