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Seminário Internacional na Bolívia -Crise do Capitalismo, Recolonização e Alternativas Populares

Entre os dias 1 e 3 de julho, realizou-se em La Paz, no central Auditório do “Palácio das Comunicações”, o Seminário Internacional “Crise do Capitalismo, Recolonização e Alternativas Populares”. O Seminário contou com a participação de uma importante delegação boliviana, da qual faziam parte o dirigente camponês Sergio Loayza, vice-presidente do MAS – em exercício na presidência – que foi o encarregado de abrir as sessões. Do país anfitrião, também participaram César Navarro, líder da bancada de deputados nacionais do MAS, e uma numerosa representação de movimentos e organizações sociais e camponesas.

 

Além do PSOL, integraram a delegação brasileira Cedenir de Oliveira, da direção do MST, e Marco Antônio Trierveiler, representando o MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens). Houve também importantes delegações da Colômbia, Chile, Argentina, Peru e Venezuela. Deste último país, estiveram presentes o Movimento Camponês Ezequiel Zamora e um representante de Amílcar Figueroa, deputado do PSUV que exerce a presidência temporária do Parlamento Latino-Americano. Do Peru, compareceu um dirigente camponês das últimas lutas de indígenas da Amazônia, além de representantes de outras organizações implantadas no sul do país (Em breve, será possível ler todas as exposições e debates na internet).

Em uma síntese breve, temos que destacar que o seminário esteve contagiado pelo dinamismo presente nos movimentos sociais e políticos a partir do auge do bolivarianismo e de sua expansão pelo continente. Pode-se notá-lo no simples fato de o seminário ter sido realizado na Bolívia, onde se tem consolidado e fortalecido o que se denominou “revolução democrática, índia e popular” encarnada pelo governo de Evo Morales. Trata-se de um país em que a burguesia branca perdeu o controle do governo, que esta agora em mãos do movimento indígena e camponês. Nos departamentos da chamada “meia-lua”, a burguesia branca se instalou e prepara seu contra ataque, embora agora esteja em uma atitude defensiva após a derrota de seu golpe. Mas sua política estratégica segue sendo a retomada do poder central ou a divisão do país.

Nesse contexto, os participantes do Seminário manifestaram sua disposição em avançar os acordos para unificar e coordenar as lutas, na medida em que, cada vez mais, estas têm assumido um caráter continental. Aí reside a importância da construção de uma estratégia continental para fazer frente ao bloco contra-insurgente e impedir os golpes, as ingerências e as imposições. Concretamente, o seminário se realizou influenciado por dois novos fatos que se apresentaram em nosso continente: a insurgência dos índios no Peru e o golpe direitista em Honduras (Ver declaração do Seminário contra o golpe). Essa situação é a que criou condições para se construir acordos entre as organizações que lutam no campo do bolivarianismo – como as presentes no seminário – sob a perspectiva de colaboração e trabalho comum para construir a solidariedade concreta com a luta boliviana contra a reação da direita, pelo apoio à luta indígena no Peru e contra o golpe em Honduras.

Através da Secretaria de Relações Internacionais, o PSOL fez-se presente reafirmando sua solidariedade ao governo e aos movimentos sociais bolivianos contra o golpismo e levando apoio às medidas do governo que enfrentam a resistência da direita. Destacamos a importância de tal solidariedade com a Bolívia, país com o qual compartilhamos uma grande fronteira, ao mesmo tempo em que denunciamos o papel que tem jogado o governo Lula na defesa dos interesses dos monopólios paulistas com relação ao gás e dos interesses dos plantadores de soja instalados naquele país.

Coube ao PSOL, como também ao MST em sua exposição, explicar as diferenças entre os governos de Evo e de Lula. De nossa parte, insistimos que, na América Latina, com a situação algo defensiva em que se colocou o imperialismo estadunidense após a derrota da ALCA e a crise econômica, levou a que o Brasil a acentuar seu papel de sub-potência ou sub-imperialismo com seus interesses próprios. Por isso, há, na América Latina, duas políticas que se confrontam: de um lado, a integração propiciada pela ALBA e, de outro, os interesses da grande burguesia brasileira, defendida por Lula, que expandiu seu poder econômico a numerosos países latinos.

Destacou-se o caráter estratégico, comum a nossos países, da defesa da Amazônia. A luta indígena no Peru tem mostrado que tal defesa está sendo conduzida especialmente pelas mãos das organizações do povo, dos indígenas e dos camponeses. Nesse sentido, destacaram-se, também, a importância política que possui o Peru na mudança da correlação de forças no continente, a possibilidade de que tal cenário seja consolidado se triunfa o PNP na contenda com o neoliberalismo nas próximas eleições e a necessidade de os latino-americanos serem parte desse processo apoiando seus candidatos nas eleições. O MAB, por sua vez, mostrou a política de expansão brasileira através do IIRSA e, em particular, da represa que está sendo construída no rio Madeira.

Sem dúvidas que o Seminário foi um passo para fortalecer as relações internacionalistas do PSOL, em particular em nossa America Latina. Como parte dessa política se inscreve a realização de nosso Seminário Internacional “Crises, respostas na América Latina e o mundo” que realizaremos nos dias 18 e 19 de agosto em vésperas do congresso, ao que se comprometeram sua presença muitas das organizações presentes em La Paz.

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