Nesta terça-feira (15) pela manhã, aconteceu na Câmara dos Deputados uma importante homenagem à vereadora do PSOL Marielle Franco e seu motorista Anderson Gomes, assassinados há 4 anos no Rio de Janeiro em um crime político ainda sem solução.
Um ato simbólico no Salão Verde da Câmara foi seguido de uma sessão solene no Plenário Ulysses Guimarães, em homenagens organizadas pelo PSOL na Câmara.
O evento contou com a participação de Antônio Francisco, pai de Marielle Franco, e Agatha Arnaus, viúva de Anderson Gomes, além de diversos integrantes da bancada do PSOL na Câmara, parlamentares de outros partidos e o presidente do PSOL Juliano Medeiros.
“Muito se fala de democracia. Mas que democracia é essa que, quatro anos depois, não permitiu ainda elucidar aquele que, desde Chico Mendes, é o mais covarde ato de violência política cometido no Brasil?”, questionou Juliano Medeiros em sua fala na homenagem a Marielle.
“Não dá para falar de democracia enquanto hoje ainda há parlamentares do PSOL que precisam de escolta e carro blindado para terem suas vidas protegidas”, continuou.
“Aqueles que assassinaram Marielle Franco queriam tentar calar sua voz, suas ideias, seus objetivos, sua atuação política, mas vemos cada vez mais mulheres, negras, LGBTs, jovens, trabalhadores e trabalhadoras ocupando a política e os espaços de poder”, disse a líder da bancada do PSOL, Sâmia Bomfim, que presidiu a sessão solene.
“Nós estamos aqui exigindo justiça porque não é justo com os seus familiares, com seus eleitores, todos e todas aquelas que admiramos muito sua história e sua atuação política”, apontou.
“Há quatro anos convivemos com uma dor quase insuportável. Há quatro anos temos que lidar com a urgência de viver o luto e seguir em luta. Ainda não termos a resposta do Estado brasileiro sobre quem mandou matar Marielle mostra como a democracia brasileira, ainda tão frágil, incompleta, vem retrocedendo nos últimos anos. A execução política de Marielle Franco é um dos maiores marcos do retrocesso democrático desses tempos que vivemos”, disse a também deputada federal Talíria Petrone com sua voz embargada durante a homenagem a sua amiga Marielle.
“A luta por justiça para Marielle é permanente. A luta contra as milícias é permanente e cada vez mais necessária. A luta contra a extrema-direita e o bolsonarismo que retroalimentam as milícias segue mais do que necessária. Precisamos romper com esse ciclo de violência estrutural”, pontuou a deputada Fernanda Melchionna.
“Temos que ter a firmeza e determinação de não deixarmos esse grito por justiça desaparecer até que se saiba a verdade. Não só sobre quem mandou matar Marielle Franco, mas também por justiça para os 434 desaparecidos durante a ditadura militar e tantos outros que diariamente somem sem que se saiba a razão do porquê foram vitimados de forma tão cruel e violenta”, disse Luiza Erundina.
“Porque uma mulher com sorriso largo, de brilho nos olhos, negra, assumidamente LGBT, favelada, defensora dos direitos humanos, incomodava tanto? Essa é a resposta para o assassinato de Marielle. Ela representava a luta antirracista, a luta contra a LGBTfobia, contra a misoginia, a luta dos debaixo por justiça social na construção de uma sociedade igualitária, uma sociedade socialista. Por isso ela foi assassinada, resta saber quem foi o mandante”, cobrou Ivan Valente.
“É inevitável lembrar daquele dia 14 em que Marielle foi assassinada. Todo mundo aqui recorda onde estava. Eu estava na sede do PSOL em Belém, e quando tivemos essa notícia, tínhamos certeza que deveríamos levar sua luta adiante”, relembrou Vivi Reis.

