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Uruguai e Paraguai reclamam de barreiras comerciais impostas por Brasil e Argentina

Em tempos de crise econômica na Europa e nos Estados Unidos, os países membros do Mercosul (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai) sabem que, neste momento, é importante estreitar os laços, aumentar o comércio intrabloco e evitar uma competição entre seus próprios membros. Esse foi o principal tema debatido durante os dois dias do 3º Encomex (Encontro de Comércio Exterior) Mercosul, em Curitiba.

Enquanto Brasil e Argentina buscam outros parceiros comerciais para o grupo, Paraguai e Uruguai agem de forma a “internacionalizar a economia de seus países”, tendo como ponto de partida negócios com os demais membros do Mercosul, como definiu Pablo Pereira, chefe de Projetos da Uruguay XXI, agência nacional de fomento ao comércio exterior do país.

Assim como o Uruguai, o Paraguai reconhece que sua pequena economia é um entrave na hora de negociar com os demais membros do bloco. Ainda assim, o país identifica a região como uma das principais portas de entrada para seus produtos. “Mais da metade das nossas exportações vão para o Mercosul. E mesmo os produtos destinados à Europa, passam pelo Uruguai sem que para isso tenhamos que pagar alguma taxa. Isso é muito positivo para nosso comércio exterior”, afirmou ao Opera Mundi Oscar Stark, diretor nacional da Rediex, agência paraguaia de incentivo ao comércio exterior.

O comércio intrabloco desde a criação do Mercosul, 20 anos atrás, inegavelmente cresceu. Dados divulgados no evento apontam uma alta de 800% no período entre os membros do bloco. Apesar disso, há quem critique a falta de unidade entre os países principalmente por conta de barreiras comerciais impostas pelas nações.

“Temos problemas para ingressar nos mercados do Brasil e da Argentina em alguns setores. Por exemplo, na indústria farmacêutica, que é muito protegida no Brasil. Essas barreiras dificultam nosso acesso a esses mercados tão atrativos para nossa indústria”, criticou Stark.

Um caso recente que exemplifica a falta de consenso entre os quatro países diz respeito ao aumento brasileiro do IPI (Impostos sobre Produtos Industrializados) para veículos que, em sua composição, apresentam menos de 60% de conteúdo nacional.

À época do anúncio do aumento, em outubro, o governo brasileiro justificou a medida afirmando que ela beneficiaria e protegeria a indústria nacional. Por meio de acordo com a Argentina, ficou decidido que os veículos provenientes do país não teriam de pagar a taxa. O Uruguai reagiu e cobrou a mesma atitude para seus produtos. Dias depois, o governo brasileiro anunciou que os carros produzidos em solo uruguaio também estariam isentos do aumento.

Apesar da discordância entre os países, Mauro Ferrer Rocha, Supervisor da Unidade de Cooperação e Articulação Internacional da Apex Brasil – agência de fomento ao comércio exterior brasileiro – prefere acreditar que as barreiras comerciais impostas pelos países fazem parte de um mercado saudável.

“Não há nenhuma dificuldade especial ou específica [para negociar no bloco]. Não há nada que deixe o Mercosul aquém do panorama de exportações em geral. O que existe são pontos específicos onde não há um consenso ainda sobre quais seriam as tarifas ou condições que deveriam ser adotadas. Mas não dá pra se chamar de barreiras”, disse.

Ainda segundo Rocha, a competição entre os próprios países do Mercosul não é prejudicial ao bloco. “Assim como a livre concorrência dentro dos países é algo natural. Trata-se de estender essa livre concorrência para além das fronteiras”, completou.

Apesar das declarações de Rocha, fica fácil perceber nos discursos paraguaios e uruguaios que as medidas brasileiras e até mesmo as argentinas para proteção de seus mercados, não são tão bem aceitas pelos demais membros do Mercosul.

“O melhor comércio que o Paraguai faz é com o Mercosul. O livre comércio é bom, mas as regras devem ser respeitadas”, completou Stark referindo-se ao fato de que nenhum dos países pode ser prejudicado.

Rocha responde às críticas afirmando que o Mercosul ainda precisa melhorar, mas que hoje o bloco permite que seus membros estejam muito mais unidos que anteriormente. “Cada vez mais fica clara a necessidade de que esses países devem estar unidos para tratar das divergências em relação aos seus interesses. Vinte anos é pouco para a formação de um bloco comercial, mas as expectativas para os próximos anos são animadoras”, completou.

*Fonte: Opera Mundi

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