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Venezuela inicia processo eleitoral pós-Chávez

Foi dada a largada para a eleição presidencial venezuelana, que irá decidir quem substituirá Hugo Chávez, falecido em 5 de março. Nesta segunda-feira (11), Nicolás Maduro, presidente interino, e Henrique Capriles, da MUD (Mesa de Unidade Democrática), inscreveram suas candidaturas no CNE (Conselho Nacional Eleitoral). O dia foi marcado pela grande demonstração de força do chavismo, que levou milhares de pessoas ao centro de Caracas para acompanhar Maduro, e pela repercussão das declarações de Capriles e da resposta do ex-vice-presidente de Chávez na noite de domingo (10).

Três horas antes de Maduro chegar, a multidão vestida de vermelho já ocupava cada espaço dos arredores do prédio do órgão eleitoral, munida de camisetas, bonés e cartazes com o rosto e frases de Chávez. Algumas das músicas que tocaram nos alto-falantes eram da campanha do ano passado, assim como os gritos de “Uh! Ah! Chávez não se vá”. De fato, a impressão era a de que se tratava de mais um comício do falecido líder venezuelano, mas, pela primeira vez, ele não esteve presente. Chávez ainda é velado na Academia Militar, em Caracas.

Isso não arrefeceu o ânimo dos que estiveram presentes. “Eleger Maduro será minha homenagem ao comandante”, diz Florencia Torres, de 25 anos, estudante de Direito. Desde a morte de Chávez, e com a certeza da candidatura de Maduro, apoiadores do presidente naturalmente iniciaram a construção de uma campanha que irá unir a memória do líder ao presidenciável. Slogans já começaram a ganhar popularidade ainda na fila para ver o corpo do comandante: “Com Chávez e Maduro, o povo está seguro” e “Chávez, te juro, meu voto é para Maduro” são os mais populares. Para o eleitor, Chávez e Maduro se tornaram um só candidato.

Contra isso eles não têm como lutar”, observa o líder comunal e indígena da etnia Wayuu, Robert González, ao falar da oposição venezuelana. Morador de Maracaibo, Estado de Zulia, ele analisa que, mais além de um voto-homenagem em Chávez, Maduro deve ser eleito também por causa da confiança que conquistou entre os partidários do processo revolucionário. “Ele sabe que será só um instrumento dessa revolução, que aqui nas ruas existe um povo que anda com as próprias pernas. Infelizmente os opositores ainda não conseguiram entender essa transformação promovida pelo presidente”, afirma González.

Pelo desempenho desta segunda-feira, Maduro deve dar continuidade ao espírito festivo de Chávez, além de repetir hábitos do presidente, como o tradicional cafezinho entre as falas. O candidato chegou ao CNE dirigindo um ônibus, em clara referência ao passado como motorista de Caracas e por diversas vezes fez piadas com seus ministros e o público. Só fechou a cara para novamente comentar as declarações de Henrique Capriles, que no domingo (10) acusou o governo de utilizar a morte de Chávez para fins eleitoreiros.

Por Chávez não haverá silêncio, ninguém irá calar o povo da Venezuela, nem o coração que bate de uma pátria livre que está acordada. A ele [Chávez], nem um minuto de silêncio, toda uma vida de combate”, disse, ao se referir a comentário de Capriles, que criticou Maduro e a Assembleia Nacional por não fazerem um minuto de silêncio durante o juramento como presidente interino, na sexta-feira (08).

Capriles
A candidatura de Capriles foi inscrita à tarde, sem a presença do governador de Miranda ou a concentração de simpatizantes, como já havia pedido o próprio durante a coletiva de imprensa deste domingo. Ele será pela segunda vez candidato da aliança opositora MUD, que afirma estar lutando contra uma “armadilha” do chavismo. O político do partido Primeiro Justiça chegou a dizer que irá se colocar em um “matadouro”, frente à provável derrota. Pesquisas de opinião indicam diferença de mais de 10 pontos entre ele e Maduro.

Para o diplomata venezuelano Diego Arria, o pouco tempo de campanha é ruim para a oposição. “Eles [governo] sabiam que Chávez estava doente. Como disse Capriles, foi tudo milimétricamente organizado . Eu teria pedido uma condição mínima nessas eleições e que não fossem realizadas em 14 de abril, mais depois, para equilibrar o jogo”, analisou. “Esse lema de que ‘Eu sou Chávez’ não vai funcionar pra eles, porque eles não são e vão pagar caro por isso.”

De acordo com Leopoldo López, do partido Vontade Popular, “Capriles disse o que muitos pensam. Sua estratégia será contra o abuso e a mentira”. Para o ex-prefeito de Chacao e uma das lideranças opositoras, “a reação do candidato oficialista é a mais clara evidência de que o que foi dito é a verdade. O governo alterou a realidade sobre a doença de Hugo Chávez”, concluiu.

Levando em conta as últimas horas e acontecimentos, a Venezuela deve ter uma das campanhas mais agressivas e agitadas da história. E, curiosamente, sem a presença física de Chávez.

 

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