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Vereador do PSOL em Salvador denuncia ACM Neto por apresentar projeto que beneficia interesse próprio

O vereador do PSOL em Salvador, Hilton Coelho, informa que o projeto de lei nº 644/13, enviado pelo Executivo por meio da mensagem nº 18/13, que trata da isenção do IPTU, esconde dentro dele, na surdina, a inclusão no Código Tributário Municipal de um parágrafo único no artigo 150, que trata do pagamento da Taxa de Licença para Exploração de Atividades em Logradouros Públicos. Segundo o parlamentar, quem, no entanto, paga essa Taxa de Licença são as baianas de acarajé, os ambulantes, os organizadores de atividades recreativas na praia e vários outros segmentos que estão sendo perseguidos pelo prefeito ACM Neto nestes seus nove meses de administração. De acordo com Coelho, os outdoors, as exposições, as feiras e os shows realizados em locais públicos também pagam a taxa.
 
“A mudança que ACM Neto propõe, encobertada pelo debate sobre o IPTU, é o de o Executivo Municipal ter a faculdade de conceder a isenção da taxa para eventos culturais ou desportivos que sejam apoiados institucionalmente pela prefeitura. É isso que questionamos”, denuncia o vereador do PSOL.

Para ele, o pagamento de uma taxa pelo uso do espaço público não pode estar vinculado à vontade dos governos, que se sucedem na administração, e sim a uma postura de Estado, tendo em vista que os eventos culturais e esportivos utilizam o espaço público, que independem dos partidos que estejam no governo. “Se usou o espaço público, tem que pagar, mesmo que seja de acordo com a capacidade financeira do evento. Além disso, conceder esta discricionariedade, forma de agir onde não há qualquer restrição ou limite, apenas os ‘amigos do rei’ terem isenção em seus eventos, enquanto os eventos não apoiados seriam tributados”, questiona Hilton Coelho.

A crítica do psolista é mais dura em razão do conflito de interesses que o projeto apresenta. Hilton Coelho avalia que caso o projeto de lei seja aprovado, haverá a possibilidade de os ambulantes e as baianas de acarajé da cidade pagarem a Taxa de Exploração, enquanto que o ‘Festival de Verão’, produzido pela família do prefeito ACM Neto, ficará isento. Ele lembra que o prefeito e seus familiares são empresários do ramo de entretenimento em Salvador.
 
O vereador do PSOL denuncia, ainda, que tramita na ordem do dia o Projeto de Lei nº 479/2011, que insere no calendário oficial da cidade o “Festival de Verão”, evento criado pela Rede Bahia e pela Bahia Eventos. “Trata-se, portanto, da utilização da máquina pública para enriquecimento pessoal, sendo realizado por aquele que deveria dar exemplo de ética e moral na administração municipal. Estamos atentos e queremos travar este debate com a sociedade e na Câmara Municipal de Salvador, que não pode ficar omissa diante de mais esse absurdo”, finaliza.

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