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17 anos depois, governo mexicano é chamado a esclarecer Massacre de El Charco

Da Agência Adital, Cristina Fontenele
 
Próximo de completar 17 anos do ocorrido, o massacre na comunidade de El Charco, Estado de Guerrero, México, segue marcado pela impunidade. A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), da Organização dos Estados Americanos (OEA), convoca o Governo do México a prestar informações sobre o caso, dentro do prazo de três meses, a contar de 20 de maio. Organizações nacionais e internacionais seguem exigindo medidas concretas para punição dos responsáveis pelos crimes.
 
O massacre aconteceu na madrugada de 7 de junho de 1998, quando tropas do Exército Mexicano entraram na escola primária Caritino Maldonado Pérez, na comunidade de El Charco, cidade de Ayutla de los Libres. A invasão resultou na morte de 10 indígenas Na´saavis, do estudante universitário Ricardo Zavala Tapia e em 22 pessoas presas. As acusações eram de terrorismo, de conspiração para rebelião, de armazenamento e transporte de armas de uso exclusivo do Exército.
 
Para Ericka Zamora Pardo, sobrevivente do massacre, o objetivo é levar o caso até a instância necessária para haver justiça. “Não aceitaremos uma solução amistosa com o Estado mexicano, porque vemos que não estão dispostos a mudarem, de forma voluntária, sua política em favor dos direitos humanos. Queremos que os responsáveis sejam castigados”. Ericka foi torturada por militares e ficou presa por quatro anos na penitenciária de segurança máxima de Puente Grande, em Jalisco.
 
Ericka e os parentes das vítimas deram entrada no processo em julho de 2012. Na época do massacre, as tropas do Exército estavam sob o comando de Luis Humberto López Portillo Leal, da IX Região Militar, e de Juan Alfredo Oropeza Garnica, da 27ª Zona Militar.
 
Segundo María Magdalena López, secretária executiva da Rede Solidária Década contra a Impunidade, o trâmite na CIDH é longo, mas é um “passo significativo”, pois, em geral, o prazo regular de resposta da entidade é de seis ou sete anos. Nesse caso, a CIDH respondeu em três anos. Ela informa que o procedimento continuará até que a Comissão avalie a admissibilidade do processo e a responsabilidade do governo mexicano.
 
A Rede Solidária Década contra a Impunidade difundiu, amplamente, o caso e acompanha os sobreviventes e familiares na busca por justiça. A organização denuncia a omissão do governo mexicano em investigar e punir os responsáveis. Diante da notificação da CIDH ao governo mexicano, a Rede entende que foi dado um primeiro passo para se obter a verdade e a justiça e determinar que “nunca mais o Exército mexicano atue contra a população”.
 
Em manifesto, a rede elaborou uma petição dirigida ao presidente do México, Enrique Peãa Nieto, pedindo o reconhecimento da verdade histórica do Massacre de El Charco. Assine aqui a petição.

 

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