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A inexplicável virtude da ignorância

Quando procuramos no dicionário o significado da palavra “IGNORÂNCIA”, encontramos algumas definições: 1. Falta de conhecimento ou saber; 2. Falta de instrução.
 
E é exatamente a “ignorância” em seu significado mais concreto que permeou o comportamento de vários segmentos nos atos do dia 15 de março, em faixas pedindo a volta da Ditadura Militar e no “nacionalismo” exacerbado que em muitos casos, faixas, falas e atos, beirou ao fascismo.
 
E em meio à confusão de pautas controversas, de um emaranhado de sentimentos conservadores e cheios de “falta de conhecimento ou saber”, a mídia (mais especificamente a TV Globo), fez questão de potencializar 3: O combate à Corrução; impeachment e o Fora PT, que na verdade é uma tentativa de desmoralizar e execrar toda a esquerda brasileira.
 
O primeiro aspecto a se destacar é que essa “falta de instrução” e má fé da mídia brasileira leva o povo a crer que o possível impeachment da presidente da República resolverá o problema da corrupção. Não resolverá! Precisamos entender que, e tá aí o escândalo da Petrobras para provar, o problema da corrupção está diretamente atrelada ao sistema político arcaico e paternalista, onde o patrocínio de empreiteiras e multinacionais é decisivo no resultado eleitoral. Sem resolver essa equação, sem Reforma Política, sem acabar com o financiamento privado de campanha, estaremos fadados a conviver, seja qual for o governo, com o aspecto sinistro da corrupção.
 
Já o governo está totalmente nas cordas sem saber como reagir, e quando o faz é de forma equivocada. Quem acompanhou a coletiva desastrosa dos porta-vozes do governo na noite pós-manifestações, teve a impressão de que o governo perdeu a total capacidade de avaliar e entender o momento político por que passa o país, ao mesmo tempo em que dava respostas vagas e sem profundidade, tentava desqualificar e deslegitimar o ato, afirmando que foram as pessoas que votaram no Aécio, inconscientemente ou não, fortalecendo ainda mais a malfadada “oposição” de direita, Aécio e, principalmente, atiçando ainda mais a ira dos já raivosos manifestantes.
 
O fato é que a saída que parte da esquerda defende, inclusive o autor deste texto, pela esquerda, não parece um cenário que tenha muita audiência entre os manifestantes, pois o que se viu no domingo 15, entre a revolta e falta de coerência que levaram as pessoas a pedir o fim da corrupção vestidos com a camisa da CBF, uma das instituições mais corruptas do país, foi crônica de um país que nos últimos anos avançou em algumas conquistas sociais, mas que involuiu na formação política, na educação e principalmente no conceito de sociedade e democracia, não sabendo sequer o que significam.
 
O governo petista perdeu o time da reação há muito tempo, quando renovou todas as concessões públicas de comunicação, sem debater uma política mínima de regulação e de cumprimento do papel social da mídia brasileira, quando resolveu tratar como aliados inimigos históricos, quando abriu mão de fazer a reforma política, quando imobilizou os movimentos sociais, quando se assemelhou, nas práticas e nas alianças, às velhas oligarquias que dominam o país desde 1500 e, o mais importante, quando abriu mão de disputar a hegemonia. Mesmo com programas sociais importantes de distribuição de renda para as camadas mais pobres da sociedade, não conseguiu construir uma retaguarda política e social que pudesse tomar as ruas agora em defesa dessas “conquistas”. Pelo contrário, o que se viu no dia 13 de março, foi uma tentativa frustrada e desmoralizante de defesa do governo por representações sindicais desacreditadas e enfraquecidas pelo imobilismo político desses 12 anos de governo PT, que agora é refém de suas escolhas e paga um preço alto por isso.
 
O fato é que não podemos ser reféns da “ignorância”, serão tempos difíceis e a hora é de contrariar a lógica da deseducação e desinformação, reafirmando que o caminho é e sempre será pela esquerda, defender pautas amargas e que a mídia tornará impopular, como a regulação da mídia, a reforma política e a taxação das grandes fortunas. É hora de combater a propagação das pautas conservadoras, que se disseminam na “falta de conhecimento” da população e na má-fé de quem informa a sociedade, de quem nos bombardeia de informações manipuladas todos os dias e nos faz acreditar que ignorância é uma virtude.
 

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