
O Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), em convenção realizada no sábado (26), na sede do Sindicato dos Bancários, em Vitória, oficializou a candidatura da ex-deputada estadual Brice Bragato ao governo do Espírito Santo. Socialista e militante social aguerrida, ela ajudou a fundar o partido no Estado depois de se desfiliar do PT, em 2005. Brice entra na campanha sem alianças com outras legendas e com uma proposta alternativa: quer reconstruir a esquerda no Estado e representar o contraponto a duas candidaturas consideradas por ela ligadas ao governo e definidas como “farinha do mesmo saco” – uma referência a Renato Casagrande (PSB) e a Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB).
Por conta da opção pelo isolamento, o partido deve contar com pouco tempo para propaganda eleitoral no rádio e TV. Para a candidata, esse é o preço a pagar pela manutenção da coerência e das propostas do partido. “Nossas alianças são com os movimentos sociais”, afirmou Brice. Além da disputa ao Palácio Anchieta, o partido vai lançar um candidato ao Senado, dois a deputado federal e cinco nomes para disputar a Assembleia Legislativa.
Perfil
Com 56 anos, 18 eleições e três mandatos na Assembleia Legislativa, ela integrou por 20 anos uma das correntes mais à esquerda no PT, a Ação Popular Socialista. Construiu a imagem de deputada combativa e atuou na oposição aos governos estaduais, inclusive o do PT, com Vitor Buaiz. Servidora do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), passa semanas em assentamentos no interior.
Terceira de sete filhos e com fortes laços familiares, Brice vem de uma infância pobre. Ajudou os pais na roça, militou na Igreja Católica, participou de grupos teatrais, foi bancária e balconista. “Vim para Vitória em 1972, com 18 anos, trabalhar em casa de família a troco das despesas e hospedagem para estudar”, lembra. Graduou-se em Serviço Social em 1979 e em Direito em 2003.
Sua plataforma de governo defende a “inversão da lógica” dos oito anos do governo Paulo Hartung (PMDB), ao qual faz oposição.

