fbpx

Debate na Câmara sobre a Venezuela conta com a presença do pré-candidato ao governo de São Paulo

“A situação da Venezuela não é catastrófica como demonstram meios de comunicação. Tem mil problemas, mas o maior elemento positivo é a predominância da democracia”, afirmou o líder do PSOL na Câmara, deputado Ivan Valente (SP), em debate na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional, na manhã desta quarta-feira (27).
 
De acordo com o deputado, os meios de comunicação manipulam as informações e passam para o restante do mundo inverdades em relação ao governo de Nicolás Maduro. Segundo Ivan Valente, o governo de Maduro representa inovação, tem como foco os desfavorecidos e não compactua com as imposições do imperialismo norte-americano.
 
“O que existe atualmente na Venezuela é a lutas de classe e uma clara tentativa de golpe de setores privados, que contam com o apoio dos Estados Unidos. Isto sim é um golpe contra a democracia”, alertou Ivan Valente. Ele destacou ainda a existência do plebiscito revogatório – que tem o poder de reverter a decisão das urnas com 20% de votos – como protagonismo popular no país.
 
O debate
A audiência pública contou com a participação do jornalista e professor de relações internacionais da Universidade Federal do ABC, Igor Fuser, do professor de relações exteriores da Universidade Federal do ABC (UFABC) e pré-candidato do PSOL ao governo de São Paulo, Gilberto Maringoni – ambos indicados pelo deputado Ivan Valente – e da jornalista Vanessa Silva, do canal Globovisión, de Caracas (Venezuela). Também havia sido convidada a ex-deputada venezuelana Maria Corina Machado, opositora ao governo Maduro, mas que não compareceu.
 
O professor Igor Fuser compartilha da mesma opinião do deputado Ivan Valente quanto à questão da manipulação das informações. “Há uma campanha de desinformação. Uma manipulação escandalosa”. Segundo ele, as 42 mortes registradas durante os confrontos de fevereiro e março últimos não são todas de responsabilidade do governo venezuelano e prevalecem as garantias constitucionais e o respeito aos direitos humanos.
 
Respondendo ao questionamento de Ivan Valente sobre a PDVSA – estatal venezuelana de extração de petróleo, Igor Fuser disse que a renda petroleira, há 15 anos, não chegava onde deveriam, ou seja, à população. O dinheiro ia para transnacionais, principalmente norte-americanas, e para os tecnocratas e executivos que manipulavam para não gerar lucros e, consequentemente, não repassar ao Estado, e ficavam com grande parte do dinheiro. “Antes pagava-se 1% de royalties do petróleo, hoje, paga-se 40%”.
 
Para o professor Gilberto Maringoni, a situação vivida pela Venezuela no início deste ano foi de uma tentativa de golpe de setores conservadores da oposição. Para ele, uma tentativa de interromper um mandato constitucional com protestos violentíssimos não tem nada de democrática. “Foram 19 eleições realizadas desde a primeira eleição de Chávez. Isso não me parece uma ditadura. E lá o voto é facultativo; o índice de abstenção nas últimas eleições foi de 31%”, defendeu.
 
Maringoni explicou que a oposição venezuelana é muito dividida e é exatamente o setor mais extremista dela que tentou impor um golpe de Estado em abril de 2002, quando, segundo ele, a Embaixada dos Estados Unidos, a Igreja e a mídia venezuelana fracassaram em derrubar o então presidente Hugo Chávez.
 
Segundo a jornalista Vanessa Silva, a censura existente na Venezuela recai sobre programas críticos à Revolução Bolivariana e que suscitam o debate sobre a gestão da nação. Para ela, o interesse principal da maior parte dos venezuelanos é encontrar uma solução que possa por fim à extrema polarização que hoje assola o país. Segundo ela, a palavra que mais define sua nação atualmente seria “incerteza”.
 
Sobre o papel dos meios de comunicação, Vanessa Silva disse que, após a tentativa de golpe de Estado de 2002, o governo de Hugo Chávez mudou sua postura com relação à mídia, estatizando alguns veículos e ampliando o controle sobre os demais. “Agora não existe mais atos midiáticos como fechamento de canais de televisão, mas ocorre a venda de canais para proprietários desconhecidos”, disse.
 
Assista o vídeo com a fala completa do deputado Ivan Valente na audiência de hoje.

 

Cadastre-se e recebe informações do PSOL

Relacionados

PSOL nas Redes

469,924FãsCurtir
362,000SeguidoresSeguir
26,600SeguidoresSeguir
515,202SeguidoresSeguir

Últimas