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Diligência dos senadores no Rio traz novos fatos ao caso Malhães

O senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), pré-candidato à Presidência da República pelo PSOL, participou nesta terça-feira (06), no Rio de Janeiro, de uma diligência da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado Federal para acompanhar as investigações sobre a morte do coronel Paulo Malhães.
 
A diligência incluiu uma visita ao caseiro do coronel Paulo Malhães, Rogério Pires. Rogério que está detido na delegacia anti-sequestro no Leblon,  foi preso no dia 29/04 por suspeita de participação no crime que resultou na morte do coronel.  O caseiro  contou aos senadores que em nenhum momento confessou sua participação na ação que resultou na morte de Malhães.
 
Para o senador Randolfe, o depoimento do caseiro aos parlamentares e ao presidente da Comissão da Verdade do Rio de Janeiro, Wadih Damous, evidenciou algumas irregularidades no caso.
 
“Esse depoimento foi até o momento, um dos mais esclarecedores no caso. Rogério nos contou que prestou depoimento sem a presença de um advogado e que até agora não tem um advogado designado para a sua defesa. Além disso, Rogério é analfabeto e nos surpreende que essa versão contada por ele para nós, não foi divulgada. Outro fato suspeito é de que o caseiro e a viúva de Malhães foram libertados 22h da noite em que a casa foi invadida. A polícia militar só chegou ao local do crime 8h30min da manhã do dia seguinte”.
 
Randolfe estranha que a Polícia justifique sua chegada ao local do crime um dia depois, com o argumento de que a região é controlada pelo tráfico.
 
“Mas se a região é controlada pelo tráfico, porque eles defendem tanto a hipótese de crime comum?, questiona ele. Outro questionamento é o que teria acontecido nessas 11 horas antes da chegada da Polícia Militar ao local do crime.
 
Além do senador Randolfe, participaram da diligência a presidente da CDH do Senado, senadora Ana Rita (PT-ES), o senador João Capiberibe (PSB-AP), membro da CDH, e o do presidente da Comissão da Verdade do Rio, Wadih Damous. Os três parlamentares já haviam se reunido na última terça-feira (29/4), com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. A CDH Senado por meio de uma subcomissão acompanha de perto o trabalho da Comissão Nacional da Verdade e das comissões estaduais da verdade. A ida ao Rio de Janeiro foi aprovada no dia 29 de abril e atende a um requerimento do senador Randolfe.
 
Após a conversa com o caseiro de Malhães, Randolfe e os demais integrantes da diligência reuniram-se com o chefe da polícia civil do Rio de Janeiro, Fernando Veloso, e outros delegados envolvidos na investigação do caso, entre eles, o delegado Marcos Castro Maia, da divisão de Homicídios e o delegado responsável pelo caso, Pedro Medina, titular da Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense.
 
Randolfe também criticou a postura dos delegados que durante a reunião não apresentaram aos parlamentares nenhuma informação que comprovasse a participação do caseiro na morte do coronel Paulo Malhães. Ao término da reunião, ao conversar com a imprensa, Pedro Medina disse “ter informações irrefutáveis da participação de Rogério Pires no crime”. “Que informações são essas que não foram apresentadas durante nossa reunião?”, questionou Randolfe.
 
A Comissão de Direitos Humanos irá solicitar cópia do inquérito e acompanhará de perto a designação de um advogado para o caseiro. Randolfe continua defendendo que a morte do coronel Malhães logo após seu depoimento à Comissão da Verdade do Rio de Janeiro deve ser cuidadosamente investigada, “já que a hipótese de latrocínio parece pouco plausível uma vez que a vítima se encontrava com a saúde debilitada e pouca ou nenhuma resistência poderia oferecer ao assalto”.
 

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