Do site do PSOL Nacional – Leonor Costa, com informações do Opera Mundi
O chefe do Exército do Egito, general Abdel Fatah al Sisi, anunciou na tarde desta quarta-feira (3) a deposição do presidente Mohammed Mursi, primeiro eleito democraticamente no país após a derrubada de Hosni Mubarak, em 2011. Os militares suspenderam, ainda, a Constituição egípcia, aprovada em dezembro de 2012.
Segundo informações de agências de notícias, o Exército estabeleceu um período de transição, no qual a Constituição será revista e serão convocadas novas eleições. Até lá, o país terá um governo de transição, comandado por Maher El-Beheiry, presidente do
Tribunal Constitucional, e responsável pela convocação de novas eleições.
Após o término do anúncio, milhares de pessoas começaram a comemorar na Praça Tahrir pela saída de Mursi do poder.
Na noite de terça-feira (02), houve confrontos entre manifestantes e policiais. Os protestos, que começaram há três dias, intensificaram-se por todo o país. Simpatizantes do presidente Mursi argumentam que ele foi eleito democraticamente, enquanto os opositores alegam que é autoritário. Oficialmente, seis ministros deixaram o governo e dois porta-vozes pediram demissão.
O membro do Diretório Nacional e da Secretaria de Relações Internacionais do PSOL, Juliano Medeiros, considera que a deposição de Mursi é apenas mais um capítulo do levante promovido pelo povo egípcio nos últimos anos e afirma que o PSOL sempre se posicionou favoravelmente às revoltas populares no mundo árabe. Nos últimos dias, milhares de pessoas saíram às ruas em várias cidades do Egito reivindicando democracia no país, mais estabilidade econômica e investimentos em projetos sociais. As manifestações, de tão grandes, já fazem lembrar os protestos que levaram à derrubada do ditador Hosni Mubarak, em 2011.
“Defendemos a continuidade e o aprofundamento das mudanças que se iniciaram na Tunísia e chegaram ao Egito e outros países da região. Observamos com esperança e otimismo as rebeliões populares e nos envolvemos nas iniciativas de solidariedade, distinguindo os legítimos levantes dos conflitos incentivados por interesses estrangeiros. Que o povo egípcio, organizado, consiga construir uma alternativa popular e socialista”, afirma Juliano.

