Durante a Escola de Verão do NPA, o Combate trocou algumas palavras comEsther Vivas Esteve, da Izquierda Anticapitalista e activista do movimento dos Indignados na Catalunha.
Como vês o movimento dos Indignados na Catalunha neste momento?
Acredito que no Estado Espanhol entrámos numa nova fase da mobilização social. As acampadas terminaram há poucos meses e agora o movimento dos Indignados está centrado no trabalho dos bairros e a nível local.
Tem-se feito muito trabalho na recusa aos cortes anti sociais que o Governo de Zapatero, mas também os Governos locais, têm levado a cabo.
Por isso, o Verão tem sido quente. Os Indignados têm realizado ocupações de centros de saúde e acampadas frente a hospitais que têm sido alvo das políticas de austeridade. Sabemos que o mal-estar social contínua e a indignação também não irá parar.
Também têm conseguido mobilizar pelo direito à habitação.
Sim, de facto, com o acentuar da crise e do desemprego muitas pessoas têm tido dificuldades em pagar as prestações da casa e muitos bancos estão a pôr as pessoas que não são capazes de pagar essas prestações na rua. O movimento dos Indignados tem combatido para impedir esses desalojamentos. Muita gente tem saído à rua para impedir esses despejos injustos por parte dos bancos e por várias vezes já conseguimos que as pessoas mantenham as suas casas. São momentos importantes, porque são pequenas vitórias concretas do movimento e são vitórias que mudam a vida de pessoas que se encontram em situações muito difíceis.
Como pensam que vai evoluir a situação no Estado Espanhol nos próximos meses?
Em Outubro o movimento dos Indignados e a mobilização social vai ganhar um novo ímpeto. Sabemos que as políticas neo-liberais do Governo de Zapatero não vão parar, por isso também nós não iremos parar de contestar as políticas injustas e de propor alternativas.
Os Indignados já marcaram uma mobilização para o dia 15 de Outubro, dia que entretanto está a ganhar uma dimensão internacional. Como estão a preparar esse dia?
O dia 15 de Outubro é uma data muito importante para a mobilização social e para o movimento dos Indignados. Nessa data queremos enfrentar nas ruas os cortes anti sociais e sabemos que a mobilização agora já se tornou europeia e mesmo global. Por isso, e porque sabemos que a situação em Portugal está muito difícil, estamos a apelar às companheiras e aos companheiros em Portugal para que saiam à rua nesse dia e se juntem a este movimento para que sejamos muitas e muitos nesse dia a dizer que não pagamos a crise deles e que queremos uma democracia real que represente as pessoas.


