A Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) do Senado realizou nesta terça-feira (28/04) reunião de trabalho para debater a morte do coronel Paulo Malhães, assassinado na quinta-feira passada (24). Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) e os senadores João Capiberibe (PSB-AP) e a presidente da comissão, Ana Rita (PT-ES) querem se reunir com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e vão ao Rio de Janeiro para acompanhar a investigação do caso.
O coronel foi morto em sua casa um mês depois de dar depoimento à Comissão Estadual da Verdade do Rio de Janeiro. Na ocaisão, ele afirmou ter participado do desaparecimento dos restos mortais do deputado Rubens Paiva e contou com detalhes como os militares faziam para sumir com os corpos dos que haviam sido torturados e mortos durante a ditadura.
Segundo o presidente da comissão estadual da verdade, Wadih Damous, que participou da reunião na CDH, o coronel foi o primeiro agente que resolveu falar entre todos os que foram convocados e a confirmar que a tortura e a morte constituíram uma política de estado e não excessos de alguns agentes. Ele esteve envolvido em vários episódios como a idealização das casas da morte, o desaparecimento dos corpos na guerrilha do Araguaia, entre outros. Para Damous, as circunstâncias da morte de Malhães são muito suspeitas e devem ser investigadas.
Diligência
Após a abertura da reunião deliberativa, a comissão aprovou requerimento extrapauta do senador Randolfe Rodrigues para que o colegiado faça uma diligência ao Rio de Janeiro a fim de acompanhar as investigações da morte do coronel Paulo Malhães.
Randolfe criticou o que ele acredita ser uma tentativa da Polícia Civil de classificar o caso como um latrocínio comum e o fato de ela ter rejeitado a atuação da Polícia Federal.
“Não quero fazer nenhum julgamento sobre a Polícia Civil do Rio de Janeiro, mas eu lamento a forma como está tratando o caso, o fato de não aceitar a participação da Polícia Federal, aceitar o depoimento do caseiro como encerramento do caso. Não aceito que esse caso seja tratado dessa forma”, disse.
O senador alertou que o jornal O Dia, nas edições desta terça-feira, anuncia que o site do coronel Brilhante Ustra noticiou a morte de Malhães 31 minutos antes de toda a imprensa. “Isso só reforça a necessidade de que essa investigação seja mais rigorosa”.
Dados da Agência Senado

