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Movimentos sociais convidam população para ocupar as ruas do DF nesta quinta-feira

Diversas organizações da sociedade civil realizam nesta quinta-feira, 15 de maio, um ato de protesto que integra o Dia Internacional de Lutas Contra as Violações da Copa, organizado pela Articulação Nacional dos Comitês Populares da Copa (Ancop). Chamado nas redes sociais de “15M”, este ato será realizado em pelo menos outras vinte capitais do país e algumas cidades no exterior, como Santiago e Paris. No Distrito Federal, além dos protestos que acontecerão nas regiões administrativas, haverá um ato centralizado na Rodoviária do Plano Piloto, com concentração marcada para as 16 horas.
 
Dezenas de organizações locais e nacionais assinam o Manifesto 15MCopa sem povo? Tô na rua de novo!, que apresenta as principais demandas de um movimento que vem crescendo desde a Copa das Confederações, quando diversas manifestações ocorreram em todo o país contra a Copa. Entre elas, além do Comitê Popular da Copa do DF, estão movimentos sociais e coletivos que atuam em diversas áreas, como a democratização da comunicação, defesa de direitos das mulheres, defesa do meio ambiente, sindicatos, representações estudantis e partidos políticos, dentre outros.
 
Essas organizações avaliam que a Copa do Mundo no Brasil representa o símbolo máximo de um projeto de sociedade que beneficia e enriquece os setores mais privilegiados, como as construtoras, empreiteiras, grandes empresas, setor automobilístico, os chamados cartolas, etc, em detrimento das populações mais vulneráveis e de todos que necessitam de políticas públicas, como saúde, educação, moradia e transporte de qualidade, dentre outras.
 
De acordo com o Tribunal de Contas do Distrito Federal (TC-DF), o estádio Mané Garrincha já custou R$ 1,9 bilhão – o que o torna o segundo estádio mais caro do mundo, em uma lista que inclui a suntuosa e nababesca Cidade do Esporte Rei Abdullah, localizada na Arábia Saudita. Apesar de englobar um estádio de futebol para 60.000 torcedores, um ginásio poliesportivo para 2.000 pessoas, um estádio de atletismo para 1.000 espectadores, uma mesquita para 500 fiéis, um estacionamento para 45.000 veículos, quadras de tênis e campos de futebol para treino e recreação, o projeto total da Cidade do Esporte custou R$ 1,18 bilhão.
 
Ou seja, o governo do DF investiu, de modo altamente questionável, o vultuoso montante de quase R$ 2 bilhões em apenas um estádio de futebol enquanto a população do DF continua a sofrer diariamente com a péssima qualidade do transporte público, com a falta de atendimento decente nos hospitais, com o enorme déficit de moradia e um sofrível ensino público.
 
Nesse sentido, a proposta do ato é ocupar as ruas para demandar uma inversão neste projeto de sociedade, priorizando as obras e ações que beneficiem a maior parte da população. Segundo o Manifesto “é verdade que a maior parte das violações para realizar a ‘Copa das Copas’ já foi cometida, mas ainda existem possibilidades de reverter o legado deste megaevento”. Dentre as demandas estão:
 
  • moradia digna para todas as pessoas removidas;
  • fim da violência estatal e da higienização das ruas do centro da cidade;
  • revogação imediata das áreas exclusivas da Fifa previstas na Lei Geral da Copa;
  • permissão ao trabalho ambulante;
  • criação de campanhas de combate à exploração sexual e ao tráfico de pessoas;
  • não instalação dos tribunais de exceção da Fifa;
  • revogação da lei que concede isenção fiscal à Fifa e às suas parceiras comerciais;
  • arquivamento imediato dos projetos de lei que tramitam no Congresso, e das normas infra-legais emitidas pelos governos, que tipificam o crime de terrorismo e avançam contra o direito à manifestação, criminalizando movimentos sociais e fortalecendo a violência contra a população pobre e a juventude do país;
  • desmilitarização da polícia e fim da repressão aos movimentos sociais.
     
Um diferencial deste protesto é que pretende-se utilizar da originalidade, com intervenções lúdicas e artísticas, para expressar o descontentamento e a insatisfação da população. “É necessário ocupar as ruas com alegria e criatividade e com imenso senso de justiça social”, afirma o Manifesto 15M, que continua “Ocupar as ruas é hoje o mais importante e fundamental exercício para avançar e fortalecer a democracia direta e a liberdade no Brasil e no DF”.
 
Serviço:
O que: Ato integrante do Dia Internacional de Lutas Contra a Copa
Quando: 15 de maio (quinta-feira), concentração às 16h
Local: Rodoviária do Plano Piloto
 

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