“O ensino superior no estado da Bahia e os seus desafios” foi o tema da audiência pública realizada na manhã desta terça (7) na Comissão de Educação, Cultura, Ciência e Tecnologia e Serviço Público da Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA). O debate, proposto pelo deputado Hilton Coelho, atraiu professores e estudantes das universidades estaduais, que se encontram em greve desde 9 de abril.
O deputado estadual Hilton Coelho, destacou que “é inaceitável que um ex-sindicalista e ex-defensor dos direitos dos trabalhadores, agora que virou governador, atue desta forma antidemocrática. As crueldades do governo estadual de Rui Costa (PT) não têm fim. Os cortes nos salários dos docentes são de um autoritarismo que merece o repúdio da sociedade”.
Para o deputado estadual do PSOL, “o corte nos salários é uma medida injusta e autoritária, Sinaliza um governo pouco disposto ao exercício democrático do diálogo. O que exigimos de Bolsonaro em relação ao corte de verbas para as universidades federais, exigimos de Rui Costa. Democracia se constrói com diálogo e respeito aos direitos conquistados e estabelecidos na Constituição de 1988. Ainda há tempo para o governador Rui Costa (PT) mudar de ideia, reverter essa posição grave e equivocada, que em nada contribui para uma solução negociada possibilitando, ao final, que uma educação publica na Bahia seja a grande beneficiada”.
Segundo exposição feita por Evandro Nascimento, presidente do Fórum de Reitores, os orçamentos das universidades estaduais vêm caindo desde 2013. O reitor da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) citou vários exemplos, dentre eles o da própria UEFS, que teve, em 2018, R$ 45 milhões a menos. O reitor afirmou que há algumas necessidades básicas e fundamentais para que o ensino superior na Bahia cumpra as metas incluídas no Plano Estadual da Educação (PEE). Dentre elas, as de que a ampliação prevista em 12% em dez anos requer investimentos do Tesouro Estadual, e que se os sistemas de ensino superior público (federal e estadual) e privado não ampliarem as vagas a uma taxa anual de, no mínimo, 3% não será possível alcançar as metas do PEE.
Hilton Coelho conclui afirmando que “retirar recursos da extensão universitária em lugar de reforçá-la, assim como a pesquisa. Não aceitamos dois pesos e duas medidas. Hoje, muita critica é feita, inclusive pelo governador do Estado, em relação aos cortes orçamentários nas universidades federais. É preciso ter coerência. Não se pode falar da situação federal e deixar as universidades estaduais à míngua. A audiência foi um sucesso e transformou-se em instrumento de pressão. Fez um levantamento real da situação das universidades; da valorização dos professores; e da situação de permanência dos estudantes. Estudante que entra em uma universidade estadual tem que ir até o final para que seja um grande pesquisador e ajude nossa Bahia e nosso Brasil, mas isso ainda está faltando. Outras ações estão em andamento e nos colocamos como parceiros nesta luta”.

