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Nota do PSOL sobre o fuzilamento ocorrido em Guadalupe

Na tarde do último domingo (7), na localidade de Guadalupe, Zona Norte do RJ, homens das Forças Armadas que patrulhavam a região alvejaram com cerca de 80 tiros um veículo que levava uma família para um chá de bebê. Evaldo Santos Rosa (51), homem negro, músico, e que dirigia o veículo, morreu no local. A esposa de Evaldo, seu sogro (também atingido), uma amiga da família e seu filho de 7 anos também estavam no veículo. Os disparos continuaram mesmo após o veículo parar. O governador do RJ e o Ministro da Justiça seguem em silêncio sobre o caso.

Estamos vivenciando um verdadeiro ambiente de terror nas periferias no Brasil. O incentivo à violência policial, a crescente militarização da sociedade – em todas as esferas – e o incentivo ao discurso e à mentalidade de que “bandido bom é bandido morto”, propagado reiteradamente no último período eleitoral e que beneficiou aqueles que têm interesse na circulação de armas na sociedade (inclusive porque lucrarão com a flexibilização do acesso à elas), os quais se beneficiam diretamente com estímulo ao populismo penal, que cria este cenário desolador. Trata-se de discurso que produz a indiferença, a naturalização e a desumanidade em relação às mortes cada vez mais cotidianas nas periferias, geradas em nome do combate ao crime, em nome da guerra às drogas. O assassinato de Evaldo, mais um corpo negro executado pelo Estado, é mais um na conta de quem acredita que a polícia e o exército têm licença para matar. “Licença” esta que o pacote anti-crime do ministro Sérgio Moro quer legalizar.

Outro agravante é que a investigação sobre o crime será feita pelo Exército, devido a uma lei sancionada pelo então presidente Michel Temer em 2017. Mesmo descumprindo tratados internacionais sobre direitos humanos, uma vez sancionada, esta lei permitiu que crimes contra a vida cometidos por forças militares passassem a ser investigados pelas Forças Armadas. Aliás, qual o papel destes militares – que não são preparados para a segurança urbana – no patrulhamento dos territórios tendo em vista que a intervenção militar (responsável pelo crescimento de 38% das mortes em ações policiais ao longo de 2018) no estado acabou?

Quantas mortes ainda terão que acontecer para que essa guerra acabe? No Brasil, 63 jovens negros morrem por dia, um a cada 23 minutos. Mataram Amarildo, Cláudia, Marielle, Evaldo e tantos outros. O fascismo autoriza e estimula o abuso da violência pelos agentes do Estado. Precisamos deter a prática de ação de ódio nas forças de segurança pública no país!

Toda solidariedade à Evaldo Santos e sua família!

Basta de genocídio do povo negro!

Basta de violência e licença para matar!

Executiva Nacional do PSOL
09 de abril de 2019

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