O PSOL manifesta enorme preocupação com a situação de calamidade por que passa a população do Amapá e vem cobrar soluções do Ministério de Minas e Energia, do Governo Federal, e do Governo do Estado do Amapá sobre a situação deste Estado, que está no 5° dia de apagão. Manifestamos profunda solidariedade às cerca de 765 mil pessoas que estão sem energia elétrica desde o dia 03 de novembro, o que representa 89% da população.
O governador do Estado, Waldez Góes (PDT), decretou Estado de Calamidade Pública e o governo federal lançou três planos para recuperar o fornecimento de energia, mas a solução deve demorar ao menos 10 dias para chegar. Queremos uma solução imediata e ressarcimento dos prejuízos a população. Apoiamos o trabalho incansável do nosso deputado estadual, companheiro Paulo Lemos, que cobra providências das autoridades.
A falta de energia, que atinge 13 dos 16 municípios do Estado e traz problemas como a falta de água encanada, água mineral e gelo, traz prejuízos profundos para a população. As comidas perecíveis tiveram de ser descartadas, supermercados e pequenos comércios perderam mercadoria.
A maioria dos postos de gasolina não tem gerador e não consegue operar; os caixas eletrônicos não funcionam e as pessoas não conseguem fazer compras e muitas famílias precisam pegar água no rio por não conseguirem ter acesso à água potável. E mesmo os hospitais ficam vulneráveis com a falta de geradores capazes de manter as UTIs funcionando.
O estado que já enfrenta um aumento dos casos da COVID-19, tem agora uma maior situação de vulnerabilidade com o apagão. A falta de energia elétrica ameaça a atuação dos hospitais no combate à pandemia e obriga a população a descumprir o isolamento social, uma vez que todas as pessoas precisam procurar água, que já está em falta, e postos como o aeroporto e supermercados para carregar seus celulares.
Uma situação extremamente grave que acontece há menos de dez dias das eleições e que exigem medidas urgentes dos governos Estadual e Federal. O presidente do Senado, eleito pelo Amapá, Davi Alcolumbre, falou em dificuldades operacionais de socorrer o estado, mas ora, e a prioridade em pensar nas necessidades da população no Amapá neste momento?
O que está em jogo aqui? O próprio irmão de Davi Alcolumbre, Josiel Alcolumbre é o candidato a prefeito do DEM, em Macapá. É inaceitável que a situação do Amapá não seja tratada como prioridade absoluta pelo Governo Federal.
Essa linha de transmissão é de responsabilidade da empresa espanhola ISOLUX, de 230 kv que sai de Tucuruí e vai até Macapá. Essa linha é responsável por fazer a interligação do Estado do Amapá com o Sistema Interligado Nacional. Ela é a única linha que fornece energia ao Amapá. Se ficar sem essa linha, o estado fica isolado. Foi construída e é operada pela Isolux, uma empresa privada espanhola que ganhou um leilão ao apresentar o menor preço para fazer esse trecho. Ela possui 3 transformadores. Um deles foi atingido por um raio que gerou o incêndio inutilizando o equipamento. A empresa não consegue trocar o transformador e tampouco tem um equipamento provisório. Mostrando que, ao contrário do discurso oficial, a privatização não faz bem ao Brasil.
Quem vai socorrer a cidade é a estatal Eletrobrás. Mas é preciso que o governo estadual e Ministério de Minas e Energia façam sua parte, abastecendo as cidades e cobrando da empresa espanhola e solução imediata do problema. Caso a empresa não consiga, o Estado deve encampar e incorporar ao sistema da Eletrobrás.
Executiva Nacional do PSOL
5 de novembro de 2020



