Levado a cabo no município Morro de San Pedro, estado mexicano de San Luis Potosí, o projeto San Xavier gera contaminação ambiental, com danos a mananciais e à saúde dos mais de um milhão de habitantes, e ameaça o patrimônio histórico do México.
Além disso, a licença foi concedida ilegalmente, com indícios de corrupção, segundo apontaram os ativistas Francisco Romero e Mario Martínez Ramos, em entrevista coletiva.
Eles revelam que em agosto de 2010, por exemplo, a própria Semarnat negou autorização para Manifestação de Impacto Ambiental (MIA) para instalação do projeto San Xavier. Na época, o órgão alegou que haveria fortes impactos ambientais, com a utilização diária de 25 toneladas de explosivos e 16 toneladas de cianureto. Poucos meses depois, em novembro do ano passado, a DGIRA negou a MIA do projeto mineiro.
Sendo assim, os ambientalistas explicam que não há autorização para o início do projeto, o que inviabiliza autorização para sua consolidação. “Se legalmente não existe o projeto, como é que agora o consolidam?”, questionam. Frente a isto, afirmam que a autoridade federal está agindo ilegalmente. As organizações entregaram cópia do pedido de impugnação ao governo do Estado, exigindo investigação e o fim do projeto.
Já em 2004, Pró-San Luis Ecológico havia interposto pedido de anulação do projeto, o que foi julgado procedente pelo Tribunal Superior de Justiça Fiscal e Administrativa. O órgão decidiu anular definitivamente o projeto mineiro, sentenciando que “(MSX) não poderá iniciar nem continuar nenhum tipo de obra ou atividade do projeto, enquanto não obtenha a autorização prévia correspondente por parte da DGIRA”.
Mesmo assim, o projeto continua atuando, e tem causado danos ambientais, pois utiliza grandes quantidades de água e contamina as fontes aquíferas com cianureto.
“Frente a este fato, tanto o governo municipal como o estatal se fazem de tontos. Sabem que há uma empresa em San Luis Potosí que não tem autorização, dado que lhes foi notificado e ficam calados, não agem. Conhecem que a Mineração San Xavier está destruindo o patrimônio cultural dos mexicanos, contaminando terrivelmente o ambiente, usando água em quantidades estratosféricas, e não fazem nada. São cúmplices da MSX”, denunciou Francisco Romero.
Relatos
Os moradores do município relatam diversos problemas decorrentes da atividade mineira ilegal. Armando Mendoza, um dos que se opõem a San Xavier, afirma que já está cansado dos graves impactos ambientais e da corrupção local. “O método de fundição é o mais agressivo, detonam todo dia sete toneladas, devem acabar com estas atividades logo, já foi demasiado tempo de corrupção”, declarou.


