Um dos momentos dos trabalhos da tarde deste sábado (02), primeiro dia do 6º Congresso Nacional do PSOL, foi marcada pela apresentação das 12 teses inscritas. Após a abertura no final da manhã e a aprovação do regimento interno no início da tarde, os diversos setores que atuam no interior do partido puderam defender as suas contribuições para o debate programático do partido.
A primeira tese defendida foi “Organizar a Resistência Popular e construir o PSOL como alternativa programática de esquerda“, apresentada pelos delegados Hamilton e Aleci. Em suas falas de defesa, eles destacaram a necessidade de o PSOL construir um programa para 2018 que garanta a ruptura com o modo de exploração capitalista. “Não há saída para a classe trabalhadora, que não seja o rompimento com esse modelo”.
Defendida pelos militantes Fábio Nogueira e Rose Cipriano, a segunda tese apresentada no dia foi “Resistir e reexistir“. “É importante ter compreensão que resistir e reexistir é o que a população negra desse país e as mulheres têm feito ao longo de nossa história. E ainda assim a população negra continua ocupando os piores postos de trabalho. E a juventude negra é cada vez mais vítima do genocídio”, ressaltaram, enfatizando a importância da diversidade das pautas do PSOL, com a centralidade de classe e das lutas contra a opressão.
Os delegados Érick e Sílvia Letícia apresentaram a terceira tese da tarde deste sábado: “Reafirmar o PSOL como parte da construção de uma alternativa de direção política para a Classe Trabalhadora Brasileira“. Em suas defesas, ressaltaram o papel do PSOL como uma ferramente de aglutinação da esquerda. “Para fortalecer a atuação de milhares de ativistas que se referenciam no nosso partido, o PSOL precisa atuar enquanto uma ferramenta política de luta, pois assim estará contribuindo para a reorganização do movimento sindical, popular e da juventude”.
Na sequência, foi a vez da tese “É hora de fazer do PSOL uma alternativa“, apresentada pelo vereador em Porto Alegre, Roberto Robaina. “É preciso romper com o lulo-petismo. O PSOL pode ser o polo político capaz de capitalizar o encerramento do ciclo petista. Essa é uma tarefa urgente para a esquerda socialista. Com a falência da velha esquerda, nosso congresso precisa apontar uma orientação para intervir na luta política e social a serviço da recomposição da esquerda socialista”.
O dirigente do PSOL Leandro Recife defendeu a tese “PSOL de muitas lutas para derrotar o projeto reacionário conservador e construir o Socialismo“. Em sua intervenção, ele enfatizou o papel que o PSOL deve desempenhar no próximo período e disse que. “O PSOL deve desempenhar o papel de ter pulso firme contra o fascismo e superar o petismo. É hora de mostrar que o verdadeiro socialismo só vem com a liberdade, bandeiras que o PSOL é arraigado defensor”.
O deputado Chico Alencar e o delegado Iuri apresentaram a teses “Caminhando contra o vento“. “É preciso incorporar pautas identitárias, pautas que consigam enfrentar as opressões contra negros, mulheres e LGBTs. Pautas que garantam a prática democrática, dentro e fora do partido. Precisamos saber dialogar com aqueles que estão desencantados com a política”, defendeu Alencar.
As delegada Geiza e Kely e o delegado Waldeburg defenderam a tese “Reformas Estruturais e Revolução Brasileira: É preciso romper com o atual sistema e organizar uma real alternativa de poder“. “Dentro do PSOL, é fundamental buscar a unidade programática dos/das que não querem o PSOL como linha auxiliar do petismo, como consciência crítica de um eventual governo Lula, mas como alternativa real de poder para a sociedade brasileira. Urge pensarmos um programa alternativo de esquerda, que explicite a raiz dos problemas que a população enfrenta, vinculando-os ao sistema dominante e divulgando a perspectiva socialista”, destaca o trecho final da tese.
Sílvia Ferraro, que apresentou o “Manifesto do MAIS ao 6º Congresso do PSOL“, lembrou a luta das mulheres, movimento negro, das juventudes e de diversos movimentos sociais, que estão nas ruas ao longo do ano, impedindo que o governo Temer consiga votar a reforma da Previdência. Além disso, afirmou o desafio do PSOL no processo de superar o modelo de conciliação do ciclo petista, que se esgotou no país. “O PSOL é a semente do novo. E esse semente do novo tem que brotar e florescer”.
“São enormes as tarefas do PSOL na esquerda. Queremos avançar para além da militância do PSOL. Queremos avançar junto a todos lutadores e lutadoras do país”, afirmou Carol Castro, que defendeu, ao lado do deputado estadual no Ceará, Renato Roseno, a tese “Construir um programa e uma estratégia para o novo ciclo na esquerda brasileira“. “Lutamos por fortalecer e expandir o PSOL como principal ferramenta partidária da reorganização da esquerda brasileira. Para isto é necessário um partido aberto, no qual cabem todos ativistas, lutadores sociais e socialistas que venham a romper com a política de colaboração de classes do petismo”.
O delegado Michel Lima, ao defender a tese “Construir nas ruas uma alternativa de esquerda e independente do lulismo” criticou o papel que o PT teve no aprofundamento da ofensiva contra a classe trabalhadora, ao conciliar com os setores da burguesia. “Devemos buscar outras forças da esquerda e setores classistas dos movimentos para construir um programa alternativo para os trabalhadores, a juventude e o povo e os convoque a lutar pelo fim do arrocho e das demissões, o combate ao desemprego e ao desmonte dos serviços estatais; a defesa da revogação das contrarreformas de Temer e as dos governos anteriores”.
“Por uma frente de esquerda socialista para o Brasil” é a tese apresentada por Jane Barros, Aílton Lopes e Vinícius Almeida. “Precisamos apontar as saídas para o país. E a saída não é mais racismo, mais corte de direitos, mais homofobia. O PSOL precisa estar à altura para conduzir a reorganização da esquerda. Precisamos de uma frente de esquerda para o Brasil. E essa frente só pode ser feito com os nossos aliados, que não conciliem e superem o lulo-petismo”, destacaram.
O presidente nacional do partido, Luiz Araújo, e a dirigente nacional Bernadete Menezes apresentaram a tese “Em defesa dos direitos, reorganizar a esquerda e transformar o Brasil“. “O próximo período será de intensa reorganização da esquerda, partidária e programaticamente. O PSOL tem importante papel no processo, mas para isso precisa se preparar para cumprir essa tarefa. O 6º Congresso deve aprovar nossa disposição para contribuir de forma generosa com todos e todas que queiram reconstruir um projeto de esquerda no país e colocar o PSOL a serviço desse projeto”, afirma o texto defendido.
A última tese do dia foi defendida pelo deputado estadual Raul Marcelo. Com o texto “A saída para a crise é pela esquerda: é preciso superar o PT para o PSOL se consolidar como alternativa de poder para o povo brasileiro“, ele pontuou o avanço do partido nos últimos anos, em várias regiões do país, mantendo a coerência e sem fazer nenhum aceno à direita. “É preciso construir uma alternativa real e de esquerda para o Brasil e manter vivo o horizonte da revolução brasileira. Não existe ‘salvador da pátria’ que resolva a crise nos marcos do projeto do ajuste, da concentração de renda, da segregação social”, destacou.
Finalizada a defesa das teses, a parte final deste sábado será com a votação das resoluções de conjuntura internacional e nacional. Acompanhe a cobertura do 6º Congresso Nacional, através do site e nos nossos canais no Facebook e no Twitter.

