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Projeto enfrenta preconceito racial contra populações periféricas com difusão de informação

Da Agência Adital, Marcela Belchior
 
Com o objetivo de ampliar o reconhecimento das relações entre violências simbólicas e físicas geradas pelo racismo contra a população negra, moradora de favelas e espaços populares no Brasil, o Observatório de Favelas acaba de lançar o projeto Direito à Comunicação e Justiça Racial. A iniciativa vai produzir e difundir conhecimento sobre os níveis de democratização da comunicação no país e como esse direito atua para a superação do preconceito racial.
 
Segundo o Observatório de Favelas — organização social de pesquisa, consultoria e ação pública dedicada à produção do conhecimento e de proposições políticas sobre as favelas e fenômenos urbanos, criada em 2001, e com sede na favela da Maré, Rio de Janeiro —, historicamente, o espaço urbano apresenta ordem espacial racializada, na qual a população negra predomina em áreas periféricas.
 
A organização destaca que o Censo Demográfico de 2010, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), aponta que a população brasileira é composta por 47,7% de brancos e 50,7% de negros. Considerando a população das favelas, essa proporção muda radicalmente, sendo 68,3% de negros diante de 30,5% de brancos, ou seja, mais que o dobro.
 
No Brasil, destaca o Observatório, enquanto a taxa de homicídios contra homens considerados brancos vem caindo ao longo dos últimos anos, contra os considerados negros ocorre o inverso. Entre os primeiros, o índice de homicídios por 100 mil habitantes caiu de 20,6 para 15, entre os anos 2002 e 2010. Para o segundo grupo, entretanto, no mesmo período, os registros de homicídios para 100 mil habitantes subiu de 30 para 35,9 casos. Isto é, em 2010, para cada dois brancos assassinados, 4,6 negros foram vítimas de homicídios.
 
“O racismo, portanto, opera tentando eliminar física e simbolicamente a população negra. A questão é que, mesmo com dados e análises sobre a questão em relativa profusão, a violência e a injustiça raciais, em geral, sensibilizam pouco a sociedade”, avalia a organização. “Tal constatação motivou a criação desse projeto, que aposta no direito à comunicação — de produzir e difundir narrativas — como forma de romper o círculo de violência simbólica e física do racismo”, explica.
 
De acordo com o Observatório, a negação da correspondência entre racismo e violências sofridos nas periferias urbanas tem colaborado para legitimar violações de direitos nesses espaços. “Portanto, é necessário romper com essa espécie de ‘sanção’ social da violência racial. E isso depende da produção de representações capazes de reafirmar a condição de sujeitos de direitos dos moradores — em sua maioria negros — das periferias urbanas, por meio de suas próprias vozes”, analisa a entidade.
 
O trabalho do projeto Direito à Comunicação e Justiça Racial pretende contribuir para a construção e legitimação de políticas públicas de democratização da comunicação e fomentar veículos populares, compondo uma rede de atores e instituições que trabalham com comunicação nas áreas contra-hegemônicas. Pretende também incidir junto à mídia corporativa para difundir conhecimentos e representações das favelas e espaços populares, que contribuam para o enfrentamento do racismo.
 
Saiba mais:
www.observatoriodefavelas.org.br

 

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