As empresas de ônibus não têm razão em aumentar o preço das passagens de ônibus
Desde o seu surgimento, o transporte coletivo de Goiânia vem sendo explorado pelas mesmas famílias. Famílias que se enriqueceram e se tornaram poderosas economicamente e politicamente, e que consolidaram o monopólio do Transporte Público. Movidas pela sede implacável de LUCRAR, oferecem um serviço de péssima qualidade e exploram de forma brutal os seus trabalhadores. Assim, se não há quaisquer justificativas para o preço atual, que já é abusivo, o aumento é ainda menos justificável.
Diariamente, os noticiários apresentam a situação caótica do transporte público: ônibus sucateados, superlotação, pontos destruídos, frota insuficiente para atender a demanda, insegurança e insatisfação do usuário e difíceis relações e condições de trabalho para os motoristas. Ir à escola, chegar ao local de trabalho, ir a uma consulta médica, fazer compras e retornar para casa em Goiânia é uma luta diária e constante, principalmente para aqueles que dependem do transporte público para se locomover.
Milhares de pessoas usam diariamente o transporte coletivo. Estima-se que há aproximadamente 700 mil de usuários pagantes. Sendo assim, calcula-se que o aumento de 0,30 centavos na passagem, resultará em um aumento de R$ 210 mil/dia no lucro das empresas de transporte público.
Os “DONOS” do transporte público insistem em mascarar os seus ganhos com desculpas infundadas. Hoje, afirmam que precisam aumentar a passagem porque deram um reajuste de 9% no salário base dos 4 mil motoristas. Ora, com o abusivo aumento proposto, bastarão apenas dois dias de circulação para as empresas receberem o valor do aumento no salário dos motoristas. Para onde vai o lucro que será obtido nos outros 28 dias do mês?
Vale lembrar, também, que quando os cobradores foram demitidos, o principal argumento usado foi o de que era preciso desonerar a folha de pagamento, para assim, reduzir os custos da passagem de ônibus. Mas essa redução no preço da passagem nunca ocorreu. Pelo contrário, só vimos o preço aumentar e aumentar. Além da demissão dos cobradores de ônibus desencadear outros fatores socioeconômicos como o aumento do índice de desemprego na região resulta no acúmulo de funções para o motorista, que precisa trabalhar em um trânsito que está cada vez mais violento e caótico. Assim, cabe ao motorista, além de conduzir as pessoas, receber o dinheiro, passar o troco, liberar a catraca e administrar possíveis conflitos no ônibus. Isso tem provocado um adoecimento dos trabalhadores e maiores riscos para os usuários do transporte público. A verdade é que Goiânia está entre as capitais que cobram mais caro pela passagem de ônibus, enquanto oferece um serviço de péssima qualidade.
Por isso, o PSOL apoia a luta dos trabalhadores do transporte público e luta contra o reajuste das tarifas de ônibus. Por isso, denunciamos o conformismo dos governos estadual e municipal em relação aos interesses das famílias que mandam no transporte coletivo de Goiânia. Ao agir desta maneira, esses governos mostram que não representam os interesses da classe trabalhadora, mas sim dos grandes empresários e do capital.
A luta da categoria de trabalhadores do transporte coletivo deve se unificar ao clamor da população por respeito e qualidade. Precisamos unir força e dizer não à exploração do trabalho e a mercantilização do transporte público. Apoiamos as movimentações dos estudantes contra o abusivo aumento da passagem.
A população de Goiânia não deve pagar pela sede incontrolável por lucro dos grandes empresários que hoje transformam um direito fundamental – o direito de ir e vir – em uma fonte de lucros!
PSOL um partido de lutas, em defesa dos serviços públicos de qualidade!

