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Randolfe promove debate sobre reivindicações do Bom Senso Futebol Clube

A ideia de que o Brasil é o “país do futebol” está cada vez mais desgastada. Times com dívidas milionárias e salários atrasados; calendário desumano com jogos e deslocamentos excessivos; desrespeito aos direitos trabalhistas de atletas; violência generalizada entre torcedores. Tudo isso se traduzindo em má qualidade técnica nos gramados, com a complacência de quem mais deveria zelar pela “paixão nacional”, a Confederação Brasileira de Futebol. Enfim, um cenário que desautoriza a tese de que o país, campeão de títulos mundiais, pratica o melhor futebol do planeta.
 
Foi nesse contexto de desmandos e abusos que surgiu o movimento Bom Senso Futebol Clube, agremiação criada justamente com o intuito de melhorar – em todos os sentidos – a qualidade do futebol brasileiro, dentro e fora dos estádios. Sensível à causa, o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), pré-candidato do PSOL à Presidência da República, promoverá, na Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE) do Senado, uma audiência pública para discutir, em busca de providências eficazes, as mazelas do esporte mais tradicional do país.
 
Intitulado “O calendário do futebol nacional e a proposta de fair play financeiro”, o debate está agendado para esta quinta-feira (29/05), às 10h. Já foram confirmadas as presenças, entre outros, do goleiro da Sociedade Esportiva Palmeiras, Fernando Prass, em nome do Bom Senso Futebol Clube; do representante da CBF Vilson Ribeiro de Andrade, presidente do Coritiba Foot Ball Club; do representante do Ministério dos Esportes Sérgio Gomes Veloso; e do jornalista Mauro Cézar Pereira, da ESPN Brasil.
 
“Eu diria que essa iniciativa foi o que surgiu de melhor no futebol e no esporte brasileiro desde a famosa ‘Democracia Corintiana’, dos anos 80, dirigida pelo saudoso Doutor Sócrates”, disse o senador, em discurso na tribuna do plenário.
 
Randolfe é um dos principais parlamentares na luta contra os conhecidos desmandos orquestrados pelo comando da CBF.
 
Antidemocracia
No mesmo discurso, Randolfe lembrou que a Confederação é avessa às demandas do Bom Senso, e citou uma das ações antidemocráticas da entidade: a recomendação para que o Comitê Arbitral da CBF reprima, com possibilidade de punição aos clubes, toda e qualquer manifestação de descontentamento dentro de campo, antes do início dos jogos.
 
Como foi amplamente repercutido na imprensa esportiva, diversos jogos do Campeonato Brasileiro de 2013 – principalmente na reta final da competição, quando o desgaste é intenso e generalizado – tinham início com atletas de ambos dos times sentados no gramado, por exemplo, ou de mãos dadas ao centro do círculo central. Ou apenas com a bola sendo repassada entre jogadores dos times em confronto, em uma clara demonstração de que a insatisfação com os rumos do esporte é unanimidade entre eles – situação que já quase culminou em greve da classe, no ano passado, em pleno Brasileirão.
 
O Bom Senso engloba em suas demandas não só os atores diretos do futebol, mas também quem, de fato, ampara o espetáculo – o torcedor. “Segurança, comodidade, preço de ingresso, horário dos jogos, etc, são tópicos fundamentais para dar credibilidade ao espetáculo e atrair o público de volta aos campos de futebol”, defende o movimento.
 
Soluções
 
“Estamos em busca de propostas que fortaleçam os clubes, especialmente os pequenos, garantam os direitos dos atletas e mantenham o interesse dos torcedores”, sintetiza Fernando Prass, goleiro do Palmeiras e presença confirmada na audiência na CE do Senado.
 
“Por todos aqueles clubes por que já passei, no futebol brasileiro, sempre tive muitas dificuldades de recebimento (de salário), principalmente nos últimos meses de salário. Você tem de entrar na Justiça e esperar um período de cinco, dez anos para receber”, relata outro goleiro, Dida, que já defendeu a seleção brasileira e hoje atua pelo Internacional.
 
“É importante que os clubes possam pagar em dia seus funcionários como um todo, não só os atletas. No São Paulo Futebol Clube, por exemplo, devem ter uns 700, 800 funcionários; não são só aqueles 30 atletas dentro do campo. Isso aqui é uma empresa, que fatura, então tem de ter condições de pagar seus funcionários”, reforçou Rogério Ceni, outro goleiro de destaque no cenário nacional – no caso, na condição de ídolo daquele clube paulista, o que confere ainda mais força à causa da classe.
 
Ceni se refere a uma das principais demandas do Bom Senso, o chamado “fair play financeiro”, que visa o cumprimento de compromissos trabalhistas e empresariais dos clubes, em todas as suas atividades. “Os clubes deverão assumir o compromisso de não exceder um déficit, ao final do exercício, de no máximo 10% de suas receitas nos dois primeiros anos e 5% no terceiro e quarto ano. A partir do quinto ano o clube não deverá trabalhar com déficit para evitar a falta de cumprimento de seus compromissos”, diz uma das propostas do Bom Senso referente ao “fair play”.
 
Outras propostas do movimento são: aumento do número de partidas oficiais para clubes menores, com geração de renda ao longo do ano, continuamente, e aprimoramento da estrutura profissional; redução de partidas oficiais e disputa do Brasileirão de fevereiro a dezembro, para os clubes “de elite”. O Bom Senso lembra que, a depender da temporada, clubes de menor investimento podem ter apenas 15 jogos em todo o ano, condenando atletas à inatividade – e, consequentemente, à dificuldade financeira – no restante da jornada. Dos 684 clubes brasileiros, 583 não têm calendário anual – em situação inversa, os que têm tal carga de atividade sofrem pelo excesso de jogos.
 
Serviço
O quê: Audiência pública “O calendário do futebol nacional e a proposta de fair play financeiro” – Bom Senso Futebol Clube
Quando: amanhã (quinta-feira, 28/05/2014), às 10h
Onde: Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE) do Senado (Anexo II, Ala Senador Alexandre Costa, sala 15)
 

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