O Relatório da Violência contra Jornalistas e Liberdade de Imprensa no Brasil – 2015, lançado ontem (21) pela Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), no Rio de Janeiro, aponta que em 2015, 109 jornalistas foram assassinados no exercício da profissão em todo o mundo. No Brasil, foram duas mortes e 135 casos de violência, como agressão física e cerceamento de liberdade por via judicial. Em 40% dos casos de violência, os agressores eram agentes do Estado, principalmente policiais militares ou legislativos. O estudo também mostra registro de assassinatos de cinco radialistas, dois blogueiros e dois comunicadores populares. A Fenaj destaca, ainda, que a violência contra os profissionais da imprensa aumentou de 129 ocorrências em 2014 para 137 em 2015.
Policiais militares ou legislativos lideram a lista de responsáveis pelas ocorrências, com 20,44% dos casos, seguidos de políticos ou seus assessores e parentes, com 15,33%. Os outros agentes do Estado que aparecem entre os agressores são juízes ou procuradores, com 4,37% dos casos. “A violência contra os jornalistas é um problema político”, afirma o diretor da Fenaj e do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, José Augusto Camargo.
De acordo com o relatório, homens são mais agredidos (76,64% das vítimas) do que mulheres (13,87%). Em 17,52% das ocorrências não havia identificação de gênero. Quanto ao tipo de veículo do profissional agredido, ocorreu uma inversão em relação a anos anteriores e os jornalistas de TV ficaram em primeiro, com 36,49% das ocorrências. Os de jornal, que apareciam em primeiro, ficaram em segundo, com 27,74%.
Como alternativa para diminuir a violência contra jornalistas, a Fenaj defende a implementação do Observatório da Violência contra Comunicadores, cuja criação está sendo debatida com o Ministério da Justiça e a Secretaria de Direitos Humanos. A entidade também recomenda que seja implantado nas empresas de comunicação um protocolo de segurança para a atuação dos profissionais e que haja comissões de segurança nas redações dos veículos.
Com informações da Agência Brasil

