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Trabalhadores promovem jornada de lutas nesta terça-feira contra o PL da terceirização

Do site do PSOL Nacional, Leonor Costa

Centrais sindicais convocam entidades para participar de manifestações. Calendário prevê dia nacional de luta unificado, com paralisação em 30 de agosto
 
Nesta terça-feira, 6 de agosto, trabalhadores de várias categorias irão às ruas em todo o país para dizer não ao PL 4330/04, de autoria do deputado Sandro Mabel (PR-GO). O PL, já aprovado na Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público e que tramita na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados, abre caminho para ampliar e consolidar a terceirização, em larga escala, em todos os setores da classe trabalhadora no Brasil.
 
O dia nacional de lutas desta terça-feira está sendo convocado pelas centrais sindicais. A Intersindical, em seu site, faz um chamado às categorias, afirmando “os trabalhadores devem intensificar as mobilizações para derrotar os projetos de terceirização que tramitam no Congresso”. Vale destacar que o PL 4330 pode ser votado na CCJ no próximo dia 13 ou 14 de agosto, por isso a necessidade de que todas as entidades sindicais mobilizem suas bases para as manifestações desta terça-feira. “Até lá, temos de reforçar as mobilizações no dia 6 para deixar claro aos patrões, governo e parlamentares: se aprovarem o PL da precarização, o Brasil vai parar. Além de paralisar as atividades, devemos realizar manifestações em frente às entidades patronais contra esse projeto que visa quebrar a espinha dorsal dos direitos trabalhistas no Brasil”, ressalta o texto da Intersindical.
 
De acordo com a entidade, para os dias 13 e 14 de agosto a ideia é organizar caravanas de trabalhadores ao Congresso para pressionar os parlamentares da CCJ. Outra orientação dada pela Intersindical e demais centrais sindicais é que os trabalhadores e suas entidades enviem emails aos parlamentares exigindo que não votem esse projeto nocivo aos interesses dos trabalhadores e da maioria do povo brasileiro. “Se os parlamentares não deixarem claro sua posição contrária ao PL, devemos realizar grandes manifestações em frente à casa destes parlamentares para denunciar seu compromisso com os patrões e seu descaso para com os direitos dos trabalhadores”, enfatiza o comunicado da Intersindical.
 
Estudo do Dieese (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos) aponta que o trabalhador terceirizado fica 2,6 anos a menos no emprego, tem uma jornada de três horas semanais a mais e ganha 27% a menos que o trabalhador contratado pela CLT. Além disso, a cada 10 acidentes de trabalho, oito acontecem entre terceirizados. Ou seja, no trabalho terceirizado trabalha-se mais, ganha-se menos, o tempo de permanência no emprego é menor e o número de acidentes de trabalho é muito maior.
 
Números, segundo o MPT
O número da terceirização no país é grande e tem preocupado o Ministério Público do Trabalho. Segundo dados do MPT, atualmente existem cerca de 8 milhões de trabalhadores terceirizados e 31 mil empresas terceirizadas. Os setores que mais terceirizam são os da saúde, da construção civil e do sistema bancário. Entre os problemas decorrentes da terceirização estão o aumento do número de acidentes de trabalho e a dificuldade de o empregado conseguir pleitear seus direitos na Justiça.
 
“Os trabalhadores sofrem uma ofensiva do empresariado, que tem seus representantes no poder legislativo”, disse o procurador-geral do Trabalho Luís Antônio Camargo de Melo, durante o “Seminário sobre terceirização e precarização nas relações de trabalho”, realizado em dezembro do ano passado. Na ocasião, o procurador citou o PL 4330/04 como algumas das propostas que tramitam no Congresso Nacional que visam à retirada de direitos garantidos na Constituição Federal.
 
Outra preocupação do próprio MPT e das lideranças dos trabalhadores, é quanto à organização sindical dos trabalhadores terceirizados. “Em uma instituição, terão trabalhadores contratados por diversas empresas que poderão se organizar em vários sindicatos diferentes. Isso é um problema, pois teremos um movimento cada vez mais fragmentado e dividido”, avalia Ricardo Saraiva Big, militante do PSOL, dirigente da Intersindical e presidente do Sindicato dos Bancários de Santos.
 
“Por ser empregado de uma empresa e prestar serviço em outro local, isso gera uma série de problemas e complicações, por exemplo,  dificuldade em identificar sua entidade sindical”, afirma o procurador-geral do MPT, Luís Camargo. Isso porque quem presta serviço em um banco mas não é empregado direto não será regido pelas normas conquistadas pelo sindicato dos bancários. “Esse empregado é considerado de segunda categoria, cria-se uma disparidade. Muitas vezes esse trabalhador desempenha a mesma função que os empregados diretos”.
 
Para a CSP Conlutas é preciso barrar essa tentativa de avançar ainda mais no trabalho terceirizado no Brasil e é necessário defender os direitos conquistados. “A terceirização é a precarização do trabalho. Vamos participar dos atos e manifestações do dia 6, realizando panfletagens e uma ampla agitação, aproveitando a data também para criar condições para parar o máximo de setores e categorias no dia 30 de agosto, o Dia Nacional de Paralisação, definido em comum acordo com as demais centrais”, afirma a CSP Conlutas, no comunicado em seu site.
 
Confira calendário de lutas do mês de agosto
Dia 06/08: Paralisações e manifestações nas entidades patronais
Dia 13/08: Atividades na Câmara para pressionar deputados da CCJ
Dia 30/08: Dia Nacional de Lutas Unificado
 

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