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A unidade e as eleições de 2020: A experiência de Campina Grande (PB)

“Caminhar é ir em busca de metas, é prever um fim, uma chegada, um desembarque.”
Dom Helder Câmara

A vida é uma caminhada, a ação política é um permanente caminhar, como também é a busca por projetos, alianças, soluções e a conquista das mentes e corações. Para não perder o rumo da  caminhada, a  autocrítica deve ser um compromisso permanente de estar profundamente conectado com a causa da justiça social,  de sociedades democráticas e solidárias como motor de toda a caminhada.

Caminhada e Unidade estão na ordem das exigências da atual conjuntura. Uma conjuntura de crise da democracia, aumento das desigualdades socioeconômicas, ambiental e regional, mudanças climáticas, tudo isso com o agravamento da  pandemia da COVID-19, soma-se ainda às ameaças autoritárias e fascistas que hoje uma pequena parcela barulhenta da sociedade alimenta por ver no presidente Bolsonaro o seu representante. A democracia no Brasil está ameaçada. As liberdades e os direitos civis consagrados na Constituição de 1988 estão sob ataque. As políticas públicas e os direitos sociais estão sendo desmontados por uma política ultra/neoliberal que concentra riqueza e aprofunda as desigualdades. É hora do Estado, do fortalecimento  das políticas públicas e de uma ampla articulação das forças vivas da sociedade e da democracia.

Para os progressistas e democratas a exigência é uma só: UNIDADE. Unidade na ação, nas mobilizações, nas formulações de programas e propostas para enfrentar as crises e, principalmente, propor algo novo para um novo ciclo de radicalização da democracia e da justiça social e ambiental.

Unidade não se faz na uniformidade, se faz na diferença, reconhecendo as divergências, as discordâncias. Cada um deve abrir mão de algo, cedendo, apostando no diálogo permanente para superar os conflitos em nome de algo muito maior do que o legítimo interesse pessoal, de cada partido, movimento ou entidade afim. Em outras palavras: o que nos une é muito maior do que aquilo que nos separa. Já dizia Dom Helder Camara: “Abrir-se às ideias, inclusive contrárias às próprias, demonstra fôlego de bom caminheiro. Feliz de quem entende e vive este pensamento: Se tu discordas de mim, tu me enriqueces”.

A cidade de Campina Grande, no coração do semiárido nordestino, possui, de acordo com estimativas do IBGE de 2018, uma população de 407.472 habitantes. Uma cidade onde nas últimas décadas se observa a fragmentação do campo progressista e democrático, o que tem dado vitórias eleitorais ao campo conservador e, especialmente na eleição de 2018, onde houve uma maioria pró-Bolsonaro. Dentro desta realidade, Campina Grande vive a experiência do Fórum Pró Campina, que se articula desde agosto de 2019 (com um breve ensaio em 2016), o qual foi lançado oficialmente no dia 17 de fevereiro do corrente. O segundo  semestre de 2019 foi um período de muitas conversas, convencimentos, seminários e outras atividades visando sua construção e lançamento oficial.

O Fórum Pró Campina nasce com a missão de articular o campo progressista e democrático (no momento contamos com os partidos: PSOL, PC do B, PT, PDT, PSB, REDE, movimentos sociais e sindicais, lideranças acadêmicas, de bairros e ativistas); construir um Programa de Governo Progressista, Democrático e Inclusivo para Campina Grande, seja para o executivo municipal, bem como para a eleição e atuação de uma bancada progressista no parlamento municipal; dialogar e escutar o conjunto da sociedade sobre as demandas, problemas e as possíveis soluções; e dialogar com todos/as que se coloquem na oposição ao Governo local (PSD/PSDB e seus aliados) e ao Governo Bolsonaro, tendo como principal tarefa a articulação do campo progressista e a construção do Programa.

Este esforço pode culminar em uma única candidatura, mas pode se abranger e gerar duas ou três que no primeiro turno apresentem o mesmo Programa que num eventual segundo turno estarão todos/as no mesmo lado. Unidade para ganhar as eleições não se faz nas vésperas de um segundo turno ,e sim numa caminhada de cooperação e confiança desde cedo. É o que estamos tentando construir sempre com muito diálogo, apesar de todas as fragilidades e dificuldades, para contribuir na tão necessária e urgente unidade nacional das forças progressistas que desejamos, seja para enfrentar e barrar as políticas desastrosas e autoritárias do Governo Bolsonaro e pelo fim do seu governo o mais breve possível dentro das regras constitucionais,  seja para ganhar as próximas eleições presidenciais com um novo projeto de país.

O Fórum quer ser espaço de articulação permanente, agindo como laboratório de propostas e novas práticas para combinar a ação institucional com a ação popular, movimentos e organizações sociais, partidos e mandatos articulados, fazendo política com muita transparência e um compromisso inegociável com a democracia, a justiça social e ambiental.

Temos a missão de pensar o país para o século 21 e o desafio de promover a revolução científica tecnológica e de inovação na construção de uma nova economia a serviço da justiça social, pensando na sustentabilidade do planeta e na radicalização da democracia.

Precisamos nos unir com o objetivo de promover cada vez mais uma cultura democrática e do diálogo como forma de convivência e de soluções, superando as enormes desigualdades sociais e regionais. Eis o sonho e o compromisso!

Caminhemos!

Roberto Jefferson Normando
Coordenador do Fórum Pró Campina, formado em Filosofia e membro da Rede BR Cidades

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