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Marinor é confirmada senadora pelo Pará

Marinor Brito comemora hoje, 27 de outubro, a decisão final sobre sua vitória ao Senado pelo Pará. Isso porque nas eleições desse ano, ela chegou em quarto lugar, com 27,56% dos votos válidos (728 mil votos) ficando atrás de Flexa Ribeiro (PSDB), Jader Barbalho (PMDB) e Paulo Rocha (PT). Barbalho e Rocha, no entanto, estavam ameaçados pela Lei Ficha Limpa, cuja aplicabilidade foi julgada e confirmada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Assim, a vitória de Marinor foi finalmente confirmada. Em entrevista ao PSOL Nacional, a nova senadora avalia a campanha eleitoral, comenta as dificuldades e traça os próximos desafios do partido e da militância.

Como você avalia a campanha desse ano em relação às outras pelas quais já passou?
Apesar das enormes dificuldades financeiras e estruturais do PSOL, do uso da máquina pública pelos partidos da direita e do abuso do poder econômico, a conjuntura nos favoreceu pelo descontentamento popular com o governo petista e, sobretudo, por ter entrado no centro do debate a Lei da Ficha Limpa. O povo começou a identificar, nos candidatos do PSOL, honestidade e ética. O resultado eleitoral no Pará e nossa vitória política demonstram a vontade do eleitor de mudar e anunciam um grande potencial político e eleitoral para o nosso partido. Também é fato notório que precisamos enfrentar urgentemente o debate sobre o sistema eleitoral, o financiamento público das campanhas e a mudança do sistema proporcional para democratizar a disputa eleitoral, caso contrário, as megas coligações vão continuar elegendo Tiriricas, Wladimir Costa e Josué Bensons da vida e deixando de fora lideranças expressivas da luta do povo.

Qual foi o papel da militância nesse processo?
Acredito que a militância ainda está meio sem direção. Não investe no cotidiano da  vida partidária, mas, de uma forma muito tímida, acabou respondendo na disputa eleitoral. Somos poucos militantes para muitas tarefas. Sem militância organizada não teremos um partido forte. Sem militância apaixonada não conseguiremos conquistar mentes  e corações para o projeto socialista.

Na sua avaliação, qual impacto sua eleição traz para a política brasileira e do Pará?
O primeiro impacto acontece na nossa própria vida, política e partidária. Como responder de forma macro (estadual e nacionalmente) se ainda somos poucos e com tantas dificuldades estruturais e políticas? Porém, eu acredito no nosso projeto coletivo e espero humildemente pela unificação das lutas da esquerda socialista para dar suporte político aos nossos mandatos e corresponder à grande expectativa que o povo tem na gente. Nossas responsabilidades estaduais e nacionais são enormes diante de um universo de eleitos majoritariamente, alinhados com o projeto neoliberal  (muitos que ainda não foram enquadrados na Lei da Ficha Limpa). Mas
acredito que vamos fazer a diferença. O Senado não será o mesmo, com Marinor, são outros 500!

Quais são as prioridades do seu mandato como senadora?
Vamos fazer um planejamento coletivo, eleger nossas prioridades, como é de praxe nos mandatos socialistas. Porém, não imagino o nosso mandato sem enfrentar os debates sobre o sistema eleitoral; a violência dos “grandes” empreendimentos na Amazônia, como Belo Monte e a monocultura da soja; desmatamento; trabalho escravo; as nossas tradicionais lutas em defesa dos direitos humanos; da democratização da comunicação, da cultura, da qualidade dos serviços; e o combate da violência sexual contra crianças e adolescentes. Tudo isso, com certeza, estará em nossa pauta.

O PSOL alcançou ótimos resultados em alguns Estados, como no Rio e no Pará. Por outro lado, não conseguiu eleger nomes conhecidos e respeitados como Luciana Genro, Heloisa Helena e Raul Marcelo. Como você vê o futuro do PSOL e sua consolidação na política brasileira? Como você avalia esses os resultados citados?
Anuncio, aos que não me conhecem, da minha total responsabilidade com o respeito à democracia partidária. Tenho certeza de que o PSOL não se furtará do direito e do dever de fazer coletivamente esse balanço, aprender com os nossos erros e projetar o futuro a partir dos nossos acertos. O PSOL é grande porque nele estão os mais vigorosos lutadores do povo e as mais brilhantes lideranças políticas do Brasil, comprometidos com a luta socialista.

Quero agradecer ao Plínio pela demonstração de compromisso com o socialismo, ao Fernando Carneiro, que foi candidato ao governo do Estado do Pará pelo PSOL, pela coragem e ousadia em aceitar o desafio e pelo belo desempenho. Saúdo ainda todas as correntes políticas pela confiança na delegação da tarefa, pelo carinho e solidariedade que todos, sem exceção, têm comigo  desde a minha entrada no partido. Espero continuar ajudando a construir a unidade no nosso partido, como conseguimos fazer no Pará.
Estou muito feliz com o resultado.

Perfil

Ex-vereadora por três legislaturas consecutivas e ex-candidata a prefeita de Belém, Marinor é uma das mais expressivas figuras públicas do PSOL no Pará. Formada em educação física pela Escola Superior de Educação Física do Pará e professora da rede pública de ensino, tornou-se dirigente do SINTEPP e uma das mais destacadas lideranças das lutas dos trabalhadores em educação e de vários segmentos organizados em torno da Intersindical dos Servidores Públicos, entre o final da década de 1980 e o final da década de 1990. É militante do movimento pela democratização dos meios de comunicação e ex-dirigente nacional da Associação Brasileira de Rádios Comunitárias (ABRAÇO). Seus mandatos parlamentares foram fortemente marcados pela defesa de melhorias urbanas para áreas periféricas de Belém, de incentivos à produção artística e cultural em suas várias modalidades, e dos direitos humanos, em especial os das crianças e adolescentes. Foi presidenta da CPI da Prostituição Infantil da CMB e colaboradora das recentes CPI(s) da pedofilia, da ALEPA e do Senado.

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