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Max Maciel | Tem dia das Crianças na Periferia?!

Dia 12 de outubro deveria ser um dia em branco, sem nada. Só um vácuo e pula-se logo para o dia 13 e ponto. Não é um dia fácil de se encarar em uma quebrada. Me recordo, quando ainda criança, que assistia na TV aquela chuva de produtos que fazia eu e meus irmãos pentelharmos meu pai para ter, cada um, um brinquedo. Nas creches e assistência social, a doação era de lei. Corre lá mais cedo para garantir o melhor presente.

Mas por que, se isso pode para alguns ser uma coisa boa, deveria passar em branco?!

Por que?!

Não existe dia das crianças na periferia!

Não era só um simples brinquedo a questão, era o olhar de agonia dos pais e mães que não conseguiam dar um presente e você ver que uns recebiam e outros não.

É de chegar este dia e você estar a 30km de um parque público, pois em seu bairro não tem. Para onde levamos nossas crianças no dia 12 de outubro?! Para nenhum lugar ou paga-se (às vezes caro) para garantir um dia minimamente feliz.

Essa lógica do consumo nos cega e tira o foco dos reais presentes que deveríamos nos empenhar para que cada criança deste país recebesse. Sim, estou falando de direitos. Ainda não conseguimos universalizar a educação na primeira infância. Garantir acesso ao lazer, à cultura e ao esporte é o mínimo para uma qualidade de vida que o permita VIVER. Sim, pois se não os salvamos na infância, perdemos na juventude pelas mesmas ausências.

Qual real sentido de postar foto nas redes sociais e como futuro querer que estes vivam sua juventude nas cadeias, ao apoiarem uma redução da maioridade sem conexão com a realidade e pelo puro sentimento de vingança?

Olha, teremos um dia das crianças no qual ainda se permite que muitas convivam com a violência sexual, com a violência doméstica, com o trabalho infantil e com a violência institucional.

Qual futuro imaginaremos que nossas crianças merecem?! O presente inegável é: O direito de viver e viver bem!

Lutemos para um país justo, igualitário, humano e feliz para todos os próximos 12 de outubro..

 

   

Max Maciel é pedagogo, ativista e empreendedor social pelo Terceiro Setor, com especialização em Gestão de Políticas Públicas de Gênero e Raça pela UnB. Morador de Ceilândia/DF, é fundador da Rede Urbana de Ações Socioculturais (RUAS) e militante do PSOL-DF.

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