“Essa visita de solidariedade e desagravo foi muito bem recebida pelo Procurador. Repudiamos qualquer tentativa de inibir as investigações em curso, qualquer ação e declaração que desqualifiquem não só as petições da PGR como as investigações e inquéritos. O Procurador disse que o trabalho feito até agora, desde que o STF acolheu a necessidade das investigações, tem confirmado suas indicações técnicas de suspeitas de ilícitos e a necessidade dessa investigação”, declarou o líder do PSOL na Câmara dos Deputados, Chico Alencar. “Há parlamentares, entre os quais nos incluímos, que querem a independência dos poderes e o fim desse conluio espúrio entre empresas e atividade política”, concluiu.
O senador Randolfe Rodrigues (PSOL) reiterou a intenção de apoio. “Entendemos que o trabalho que tem sido feito pelo MPF é fundamental para a democracia brasileira e não deve sofrer, principalmente, de qualquer um dos chefes dos poderes da República, qualquer tipo de pressão ou constrangimento”, Randolfe, que pediu celeridade nas investigações, garantindo a quem é acusado o legítimo direito de defesa. “O procurador Janot externou para nós que o trabalho será feito com o cuidado necessário, mas os critérios têm sido principalmente os critérios técnicos, fato este que acreditamos que é o que nos motiva a estar aqui”, finalizou.
Lista dos parlamentares que assinaram a carta
Deputados federais
PSOL – Chico Alencar; Jean Wyllys, Ivan Valente, Edmilson Rodrigues, Cado Daciolo
PPS – Rubens Bueno, Raul Jungmman, Eliziane Gama, Carmen Zanotto, Arnaldo Jordy, Alex Manente, Moses Rodrigues, Sandro Alex
PSB – Júlio Delgado, Janete Capiberibe, Bebeto, Glauber Braga, Luiza Erundina, Luiz Lauro Filho
PROS – Miro Teixeira, Hugo Leal
PT – Pedro Uczai, Luiz Couto
PCdoB – Aliel Machado
PDT – Afonso Motta
Senadores
PSOL – Randolfe Rodrigues
PSB – Lídice da Mata, João Capiberibe
PP – Ana Amélia Lemos
PDT – Reguffe, Lasier Martins, Cristovam Buarque e Telmário Mota
PPS – José Medeiros
Entenda o caso
Na última semana, o Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou a investigação contra o atual presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), a pedido do procurador-geral. Cunha foi citado pelo ex-policial federal Jayme Alves de Oliveira Filho, conhecido como Careca, que admitiu servir de pombo-correio da propina distribuída pelo doleiro Alberto Youssef e garantiu ter entregue malas de dinheiro na casa do presidente da Câmara dos Deputados – informação depois retificada em seu depoimento. Por considerar que o policial poderia ter sido pressionado para mudar se depoimento, Janot solicitou a investigação.
Eduardo Cunha então se adiantou e se prontificou a ser ouvido na CPI da Petrobras da Câmara, onde acabou recebendo uma espécie de “desagravo” da maioria dos outros deputados, com poucas exceções, como o deputado do PSOL Ivan Valente, que perguntou se ele se adiantaria ao processo investigatório e abriria mão de seu sigilo fiscal, telefônico e bancário.
Beneficiado pela postura subserviente dos parlamentares membros da CPI, Cunha iniciou um ataque do Poder Legislativo ao Ministério Público Federal no geral e, em particular, ao Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot. Desde que o STF aceitou a denúncia, Eduardo Cunha passou a afirmar, em declarações públicas, que sua inclusão na lista de Janot foi uma manobra do Governo Federal, que teria, segundo ele, interferido nas investigações. Na quinta-feira passada (12), Cunha reafirmou suas acusações e disse que Janot não teria independência para investigá-lo.
MPF e Procurador-Geral recebem apoio de parlamentares pelas investigações da Lava-Jato
Vinte e cinco deputados federais de sete partidos e nove senadores de cinco legendas assinaram manifestos e ofereceram, ontem (18) pela manhã apoio ao Ministério Público Federal (MPF) e ao Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, para que prossigam as investigações em torno da Operação Lava-Jato. A presença dos parlamentares, capitaneada pelos representantes do PSOL, representa um não ao espírito corporativista que, através da mídia, deu a impressão de que o Senado e a Câmara, em sua totalidade, concordam com as suspeições recentemente levantadas sobre Janot e o próprio MPF por parte das autoridades citadas e que agora estão sujeitas à investigação.

