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Talíria Petrone: “autonomia do Banco Central é subordinação da nossa moeda ao mercado”

Bolsonaro compra sua sustentação. Com R$ 3 bilhões comprou o “Centrão”. Com a autonomia do Banco Central quer comprar o “mercado”, que na prática são as grandes corporações financeiras, apoiadas pelos neoliberais e a grande mídia.

O Banco Central emite o Real (R$), executa as políticas monetária e cambial (política de taxa de juros, crédito e câmbio), efetua a compra e venda de títulos públicos, fiscaliza as instituições financeiras e controla o fluxo de capital estrangeiro no país, entre outras funções.

O Banco Central hoje já tem “autonomia operacional”. Na prática, já está dominado por banqueiros. Seu presidente é Roberto Campos Neto, ex-executivo do Santander. Dos 9 membros de sua direção, 5 vieram do “mercado”.

A Câmara deve votar nessa semana a Lei Complementar 19/2019, que dá autonomia ao Banco Central, retirando do presidente da instituição o papel de Ministro e dá mandato fixo de 4 anos para ele e os 9 diretores não coincidentes com os mandatos presidenciais.

É uma forma de blindar o Banco de uma estratégia pública de política monetária e pode fazer com que a política econômica estabelecida pelo Estado esteja em descompasso com a política monetária do Banco Central.

O projeto reforça a tese neoliberal de colocar o controle inflacionário acima das demais políticas, o que pode fazer com que, por exemplo, uma política de geração de empregos e aquecimento econômico numa crise seja sabotada por uma elevação de juros para conter a inflação.

Quando subordinamos a política monetária ao mercado, abre-se mão de um instrumento que poderia favorecer as políticas sociais e econômicas, para construir outro caminho de desenvolvimento para um Brasil menos desigual, com pleno emprego e diversificado economicamente.

O projeto neoliberal desindustrializou o Brasil, ampliou nossas imensas desigualdades, consolidou um desemprego estrutural e deu ao capital financeiro domínio sobre nossa economia. A autonomia do Banco Central é mais uma medida que fere nossa soberania.

Por Talíria Petrone, deputada federal do PSOL

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