Após uma disputa acirrada no domingo, 26 de outubro, para a Presidência do Uruguai o candidato do partido esquerdista Frente Ampla e ex-presidente do país, Tabaré Vázquez, saiu na frente, com cerca de 46% dos votos. Em votação paralela, por meio de um plebiscito, uruguaios e uruguaias decidiram pela não redução da maioridade penal no país.
A quantidade de votos não foi suficiente para evitar um segundo turno com Luis Lacalle Pou, do direitista Partido Nacional, já marcado para o próximo dia 30 de novembro. Pou conseguiu aproximadamente 32% dos votos.
Segundo analistas políticos e a imprensa uruguaia, mesmo que Lacalle Pou já tenha garantido o apoio de Pedro Bordaberry, do Partido Colorado, o terceiro colocado na disputa, com 13% dos votos, isso ainda não assegura uma possível vitória sobre Vázquez que, se eleito, iniciará o terceiro mandato consecutivo da Frente Ampla na Presidência do país.
Num cenário hipotético de que todos que votaram em Bordaberry transfiram seus votos para Pou, ainda assim o candidato nacionalista alcançaria 44%, abaixo, portanto, dos cerca de 46% do candidato da situação. Há também o fato de que o partido de Vázquez e do atual presidente, José Mujica, espera ter o apoio de setores do Partido Independente e de outros blocos de esquerda e de centro.
Na eleição de 2009, o atual mandatário, Mujica, passou pelo primeiro turno com 47,9%, precisando de apenas quatro pontos percentuais a mais para vencer com folga o então candidato nacionalista, Luis Alberto Lacalle Herrera.
Apesar da aliança entre blancos (nacionalistas) e colorados, as análises apontam que Pou precisa angariar votos de outros setores e esperar uma queda dos votos da Frente Ampla para ter alguma possibilidade de vencer Vázquez.
Tabaré Vázquez destacou, na noite de domingo, em pronunciamento público, que seguirá “o caminho do diálogo e do respeito” para conquistar a maioria dos eleitores, e reiterou que conversará com outras forças políticas em busca de apoio. Ele agradeceu os militantes e comemorou que a chamada aliança de centro-esquerda tenha sido novamente “a força mais votada”. Enquanto uma multidão se reunia na parte de fora da sede da coalizão, em Montevidéu, o candidato admitiu que “as campanhas prolongadas são aborrecidas, tediosas”, mas ainda assim adiantou que na segunda-feira (27) já encararia uma nova etapa em busca da vitória. “O povo uruguaio sabe como se expressar e é nossa responsabilidade interpretar o que o povo elege”, afirmou.
Já Lacalle Pou disse que “está intacta a possibilidade de poder ser governo” e que, a partir de agora, deixará de ser o candidato de seu partido para ser de todos os uruguaios.
A elevada afluência de votantes e a tranquilidade marcaram a jornada eleitoral, em que 2.620.757 eleitores foram convocados a eleger o presidente, vice-presidente e os representantes de ambas as câmaras do Parlamento.
Redução da maioridade penal
Em paralelo à votação presidencial, os uruguaios participaram de um plebiscito no qual disseram “não” à redução da maioridade penal de 18 para 16 anos no país. Cerca de 48% dos eleitores manifestaram-se contrários à redução, contra 44% dos votos a favor.
Segundo Fabiana Goyeneche, representante da comissão uruguaia para o “Não”, a não aprovação da redução da maioridade penal deve ser entendida como um triunfo dos uruguaios. “Nós uruguaios continuamos desejando viver em um país mais seguro e com uma melhor convivência, mas não estamos dispostos a aceitar qualquer resposta simplista para isso. Há muita alegria, muita emoção, uma sensação de dever cumprido, e é isso que queremos compartilhar com todos”, afirmou.

