Após seis dias de confinamento, os soldados, cabos, sargentos e subtenentes da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros do Pará decidiram pôr fim à greve, nesta quarta-feira (09/04). Mesmo com todos os ataques, os praças conseguiram dobrar a intransigência do governo e chegar a um acordo em uma roda de negociação que durou mais de seis horas. Com a força do movimento, a greve arrancou o aumento de R$ 150 no vale-alimentação dos praças e a extensão do auxílio-fardamento (que antes era pago somente aos cabos e soldados) para sargentos e sub-tenentes. Uma comissão foi formada para estudar uma proposta de lei de remuneração dos praças equivalente a dos oficiais.
Outra importante conquista foi a não punição dos militares que participaram do movimento. Cerca de 40 praças da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros estavam sob ameaça de serem presos, acusados de infringir a legislação em vigor, com prática de motim e insubordinação. Caso fossem considerados culpados, poderiam ser presos por até 15 anos e serem expulsos da corporação.
Para o soldado da polícia militar Tércio Nogueira, a vitória é importante e só foi possível com a unidade que envolveu 20 batalhões em 15 municípios do estado. “O que nós fizemos foi quase uma revolução. Essa greve é para dizer que nunca mais o oficialato vai nos oprimir e que nós não aceitamos a arrogância desse governo“.
Já para o sargento do Corpo de Bombeiros, Haelton Costa, a greve foi uma resposta às históricas diferenças entre oficiais e praças que revoltaram àqueles que padecem de péssimas condições salariais e de trabalho. “É preciso entender que nós, militares, somos trabalhadores de segurança pública que há muito tempo estamos sendo discriminados. Inclusive dentro do quartel, onde o tratamento não é digno“, desabafou.
Fonte: PSTU PARÁ

