Em reação à morte do guarani-kaiowá Simeão Vilhalva, de 24 anos, no último sábado (29), no município sul-mato-grossense Antônio João, lideranças indígenas protestaram nesta terça-feira (1º) em Brasília. A manifestação foi marcada por sentimento de revolta e indignação. Na frente do Palácio do Planalto, do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Ministério da Justiça, os indígenas carregavam um caixão para simbolizar o assassinato.
O crime ocorreu quando um grupo de fazendeiros tentou retomar, à força e por conta própria, terras ocupadas por indígenas desde agosto. Outros dez índios, entre crianças, ficaram feridos, conforme relatam as lideranças.
Ñanderú Marangatú é uma terra indígena tradicional Guarani e Kaiowá demarcada e homologada desde 2005. Entretanto, a suspensão dos efeitos da homologação, seguido por uma ordem de despejo, retirou os indígenas de suas terras. Cerca de 10 anos após a decisão, os indígenas decidiram retomar suas terras ocupadas por fazendeiros locais há uma semana.
De acordo com dados do CIMI (Conselho Indigenista Missionário), o Mato Grosso do Sul é o estado que vem liderando o ranking de violências contra as populações indígenas nos últimos anos. Em junho de 2015, homens armados atacaram uma comunidade Guarani Kaiowá, deixando duas crianças desaparecidas. Além do ataque no sábado (29), há denúncias da presença de fazendeiros e pistoleiros em áreas da Ñanderú Marangatú neste domingo (30).
Em nota, divulgada no último dia 31 de agosto, a Anistia Internacional manifestou sua preocupação com o agravamento da violência contra o povo Guarani-Kaiowá no Mato Grosso do Sul. A organização informa, ainda, que se soma a organizações naquele Estado e aos demais povos indígenas que se encontram mobilizados em todo o país para apelar às autoridades que tomem iniciativas pela suspensão imediata da violência contra os Guarani-Kaiowá e pela investigação célere e independente do caso.
Em declaração à redação da Agência Brasil, a liderança indígena Daniel Vasques lembrou que eles esperam dez anos pela homologação. “Cumpriram-se dez anos, nós retomamos a área, e sábado assassinaram nosso irmão. Está aqui o corpo dele”.
Anastácio Peralta, um dos líderes guaranis de Mato Grosso do Sul, disse que quem manda na região é “pistoleiro e fazendeiro”. “Nem a polícia pode entrar, nem a Força Nacional. De sábado para domingo, eles foram lá e assassinaram nossa liderança. O governo perdeu as rédeas. Quem manda são os fazendeiros. Um boi vale mais que uma criança. A vida vale menos que uma bala”, afirmou.
A professora indígena Teodora de Sousa pediu ao governo federal uma providência concreta para acabar com a violência contra os índios. “Nós queremos um basta, e que o Estado brasileiro resolva os nossos problemas, demarque as nossas terras e nos devolva o que é nosso de direito”.
Com informações da Agência Brasil e Anistia Internacional

