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Luciana Genro e parlamentares do PSOL repudiam, em nota, prisões arbitrárias no Rio de Janeiro

Em virtude das prisões ocorridas no último domingo (13), no Rio de Janeiro, em repressão, por parte do Estado, ao protesto programado para ocorrer durante a final da Copa do Mundo, no Maracanã, parlamentares do PSOL do Rio de Janeiro e a candidata do partido à Presidência da República, Luciana Genro, assinaram uma nota de repúdio ao episódio. O aparato militar armado utilizado para reprimir as manifestações que ocorreram ao longo do dia na Tijuca resultou em prisões arbitrárias, ferimentos e no cerceamento do ir e vir de manifestantes e também de pelo menos 15 jornalistas e comunicadores populares por razões políticas, com base em mandados de prisão temporária.

Informações dão conta de que durante a tarde, a PM e a Tropa de Choque cercaram toda a praça Saens Peña, na Tijuca, e usaram de bombas, detenções e violência para reprimir a manifestação que chegou a ter 1000 participantes e seguia pela região de forma pacífica.

Repórter da Mídia Ninja, Filipe Peçanha foi agredido com chutes e socos por 8 policiais que participavam da operação de repressão à manifestação de ontem. Filipe foi abordado enquanto transmitia ao vivo o ato FIFA GO HOME na Praça Saens Peña. O documentarista canadense Jason O’Hara foi atingido pelos estilhaços da bomba e teve sua câmera quebrada na ação da PM, assim como Bernardo Guerreiro, também da Mídia Ninja e que teve sua lente danificada.

Segundo a nota, “as prisões constituem ato eminentemente político e criam perigoso precedente: a privação da liberdade individual passa a ser objeto de decisão fundada em previsões e no cálculo relativo ao interesse dos poderes do Estado”.

Pelo PSOL, assinam a nota, além de Luciana Genro, os deputados federais Chico Alencar e Jean Wyllys, o deputado estadual Marcelo Freixo, o vereador Eliomar Coelho e o candidato do PSOL ao governo do Estado do Rio de Janeiro, Tarcísio Motta.

Leia abaixo o texto completo.

Nota pública sobre as prisões arbritárias no Rio de Janeiro
Enquanto os brasileiros sofrem com a derrota da seleção, um resultado muito mais grave está sendo engendrado: a derrota da democracia e da Constituição. No Rio de Janeiro, por razões políticas, 17 pessoas foram presas, com base em mandados de prisão temporária, e dois menores foram apreendidos. Um representante do poder judiciário viabilizou a ação policial, evidenciando mobilização orquestrada com participação governamental. A operação foi justificada para prevenir ações que pudessem perturbar a ordem pública no dia da decisão da Copa do Mundo.

Por esse motivo os advogados têm tido dificuldade em conhecer a substância de cada acusação: tudo foi feito para impedir que os presos se beneficiassem de Habeas Corpus antes de domingo. O chefe da polícia civil tem deixado claro, em seus pronunciamentos, que as prisões visam prevenir possíveis ações. Estamos diante de uma arbitrariedade inaceitável, que agride o Estado democrático de direito.

As prisões constituem ato eminentemente político e criam perigoso precedente: a privação da liberdade individual passa a ser objeto de decisão fundada em previsões e no cálculo relativo ao interesse dos poderes do Estado. Foram golpeados direitos elementares individuais e de livre manifestação. Conclamamos todos os cidadãos comprometidos com os princípios democráticos, independentemente de ideologias ou filiações partidárias, a unirem-se contra o arbítrio e a violência do Estado, perpetrada, ironicamente, sob a falsa justificativa de evitar a violência.

Luciana Genro
Marcelo Freixo
Jean Wyllys
Chico Alencar
Tarcísio Motta
Eliomar Coelho
Luiz Eduardo Soares
Lindberg Farias

 

 

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