Sempre com bom humor e irreverência a segunda-feira de Carnaval, no circuito Osmar (Campo Grande), é marcada pela presença do bloco “Mudança do Garcia”, que abre o coração dos soteropolitanos e expõe seus sentimentos aos administradores públicos.
Com espaço aberto a todos os que querem participar, populares, movimentos sociais e partidos políticos aproveitam a oportunidade para empunharem as bandeiras de suas causas.
O PSOL, representado pelo presidente estadual do partido, Marcos Mendes, em companhia de Hilton Coelho, Hamilton Assis e dezenas de militantes, compareceu com uma faixa chamando Wagner e Dilma de tiranos. O partido político que apoiou o movimento dos policiais militares, em busca de melhores condições, não concordou com os métodos utilizados pelo governo, para por fim a greve.
É uma tradição da Mudança do Garcia o uso de placas com denúncias e críticas. Veja aqui algumas:

- “Em breve teremos ladrão como profissão regulamentado”.
- “Abaixo a corrupção”.
- “Vereadores traidores, atropelam lei, povo e justiça”.
- “Ainda precisamos de transporte. Tanto dinheiro já entrou e nada, nada de metrô”.
- “Se a astúcia brasileira fosse usada para se administrar seriamente o país seria um paraíso”.
- “PDG comprei e me ferrei”.
- “PDG prazo de duas gestações”.
- “Barraqueiros no cemitério da orla”.
A exceção ficou por conta do apoio que muitos foliões expressaram à ministra Eliana Calmon, mas que, de certa forma aponta também para o descontentamento, e a população resolve aplaudir pessoas que trazem a esperança por mudanças:
- “Sim, a ministra Eliana Calmon está certa! Realmente o delito se esconde atrás da toga”.
- “Viva o CNJ e a ministra Eliana Calmon. O amor e o orgulho da Bahia”.
Insatisfação com os políticos, reclamação contra a demora em obras públicas e até a revolta pela casa nova que ainda não foi entregue… Na Mudança do Garcia vale tudo. O tradicional bloco de rua, que sai do bairro que lhe dá nome e desfila até o Campo Grande atrasou, mas chegou à Avenida com suas famosas faixas de protesto no começo da tarde desta segunda-feira de Carnaval (19).
O governos municipal e estadual não escaparam dos cartazes da Mudança, que em 2012 completa 65 anos de participação no carnaval soteropolitano. O atraso do metrô e as recentes mudanças no Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano de Salvador (PDDU) estavam entre os principais temas das reclamações.
A “Mudança do Garcia” acontece tradicionalmente no penúltimo dia de folia e se configura como um circuito à parte durante o carnaval. Os foliões matinais são moradores do bairro do Garcia e de outros bairros, que seguem juntos caminhando até o Campo Grande, onde ocorre o trajeto oficial dos trios elétricos. Eles começaram a animada caminhada por volta do meio-dia. A festa é gratuita, sem cordas, e a única exigência é ter fôlego e bom humor para entrar nas brincadeiras.
“Isso sem perder o espírito social dos protestos, que são a grande marca da Mudança do Garcia. Todo mundo aproveita para mostrar que a alegria do carnaval não afasta a memória de quem sofre durante o ano com os problemas apontados para a prefeitura e governo. O povo brinca, mas com o povo não se brinca e o PSOL participou da Mudança do Garcia para deixar bem claro que ‘Chega de Vender nossa Cidade’”, finaliza Hamilto Assis, pré-candidato a prefeito de Salvador pelo PSOL.

