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Rodoviários de Porto Alegre retornam ao trabalho, mas mantêm estado de greve

Leonor Costa, do site do PSOL Nacional

Em assembleia lotada na noite da última segunda-feira (10), no Ginásio Tesourinha, os trabalhadores das empresas de transporte coletivo de Porto Alegre decidiram retornar ao trabalho no dia seguinte, mas manter o estado de greve. Após 15 dias com 100% da frota de ônibus da capital gaúcha sem circular, os rodoviários avaliaram que era a hora de suspender o movimento grevista, julgado ilegal pela Justiça do Trabalho, mas continuar a pressão até o julgamento do dissídio pelo Tribunal Regional do Trabalho da 4º Região (TRT).
 
Na mesma assembleia, os trabalhadores rejeitaram a proposta oferecida pela empresa, que na avaliação deles não contempla a pauta de reivindicações. Os motoristas e cobradores das empresas privadas de ônibus e da única pública Carris reivindicam um reajuste de 14%, aumento de R$ 4,00 no vale alimentação, fim do banco de horas e a redução da jornada para 36 horas semanais. Já o sindicato patronal, que continua intransigente em atender à pauta dos trabalhadores e que determinou o corte nos salários dos 15 dias parados, ofereceu como contraproposta apenas 7,5% de reajuste salarial, R$ 3,00 de aumento no vale alimentação e o fim do banco de horas somente 6 meses após o fechamento do acordo.
 
Segundo o rodoviário Maurício Barreto, militante do PSOL que integrou a comissão de negociação, a greve contou com a adesão de 100% da categoria, considerando que durante os 15 dias de paralisação nenhum ônibus circulou pelas ruas de Porto Alegre. Ele explica que todo o processo, bastante forte, foi conduzido pela própria base, organizada no Movimento Independente dos Rodoviários (MIR), já que o sindicato da categoria teve uma participação irrisória durante o movimento paredista. “Foi a base que conduziu a greve. O sindicato não dirigiu nada o tempo todo”, ressalta.
 
Barreto explica que na próxima segunda-feira (17) haverá uma audiência no TRT para julgar o dissídio. Segundo ele, enquanto houver o impasse a categoria segue mobilizada e em estado de greve.
 
Luta nacional
Alceu Weber, também integrante da comissão de negociação, afirma que o processo de mobilização e conscientização da categoria já vinha acontecendo nos últimos dois anos. De acordo com ele, somente em 2013 foram 16 paralisações envolvendo os 8.500 rodoviários das 14 garagens de ônibus da capital, além de atos e operação padrão. “Essa sem dúvida é a nossa maior greve, considerando que até então a maior era a de 79, quando a categoria ficou parada por 13 dias. Essa agora atingiu 15 dias”, afirma.  
 
O rodoviário explica, ainda, que, além da pauta econômica, um dos eixos centrais da greve é a redução da jornada das atuais 43 horas para 36 horas semanais. Para isso, o desafio da categoria é pressionar o Congresso Nacional a votar o PL 271, conhecido como Estatuto do Rodoviário, que se encontra parado no Senado Federal. O projeto estabelece a carga horária de 36 horas semanais para os rodoviários de todo o país, além de 30% de adicional por risco de vida e aposentadoria especial de 25 anos na profissão. “Vamos manter a mobilização daqui pra frente para pressionar o Congresso a votar e a aprovar esse projeto, que é uma bandeira nacional, aliada à qualidade de vida, e de toda a categoria”, enfatizou Alceu Weber.

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